TTULO: ANDREW - Livro 2
Inicio: 12 de maro de 2003. 
Postado em 15 de abril de 2003.

AUTORA: EDNA BARROS (VANCOUVER)
email: ednabarros@uol.com.br
Site onde voc pode encontrar todas as minhas histrias: 
www.wfics.hpg.com.br 

RESUMO: A famlia Mulder tem que lidar com algo
inesperado, e perigoso, e s Andrew  capaz de resolver
este problema.

Classificao: Livre. Shipper. Noromos, caiam fora.

Retrataes: Tudo de AX pertence a Chris Carter e a quem 
mais ele deu direito. Estou usando seus personagens sem nenhuma
inteno de lucro ou dano ou fraude. A histria  minha, 
mas nem imagino que ele v ler este contedo. O que  uma 
pena.  Podia ter dado umas idias pra ele. :)

Nota da autora: Esta  uma continuao de 'Andrew', a ltima
fic que escrevi. Se voc no leu, mesmo assim esta historia
vai fazer sentido pra voc, mas tenho certeza de que voc
iria gostar da primeira historia tambm.

E pra vocs que nunca desistiram do Andrew... espero que
gostem da historia, do enredo, e de tudo mais. 

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TITULO: ANDREW - LIVRO 2
Autora: Vancouver

PARTE 1: DESESPERO
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5 ANOS DEPOIS
DIA ATUAL
Casa dos Mulder
16h

Scully estava cansada. Depois de uma semana atarefada, ela estava esperando
com muita ansiedade este fim de semana. Ela trabalhava meio perodo fora, dando 
aulas de biologia numa escola secundria, o que sempre havia sido sua paixo. Era uma grande e gritante diferena do seu passado, onde coisas extraordinrias 
aconteciam. Mas desde o aparecimento de Andrew, e o nascimento de William, a 
vida dela mudou radicalmente. Ela agora tinha uma famlia.

Como sempre sonhara.

Desde pequena ela pensava em como seria quando crescesse, tendo um marido como o pai dela, amoroso com sua me, e tendo filhos, como seus irmos. Ter uma famlia 
grande tinha seus contras, mas a conta a favor era imensamente maior. E ela no 
podia ter pedido uma famlia melhor do que a possuia.

Mulder a adorava. Andrew tambm. E William, ao que parecia, ia pelo
mesmo caminho. Ela sorriu ao se lembrar das 'brigas' matutinas, desde que William nasceu, pela ateno dela. Scully tinha que se desdobrar em trs para atend-los, no em coisas materiais, mas em carinho. Muito carinho.

Andrew nunca negou a atitude dependente dele para com ela. Depois de oito anos
de vida, mas agora com vinte e quatro anos, ele pedia a ateno dela o tempo todo.
No como um bebezo, mas simplesmente estando perto sempre que podia,
sentado ao lado dela, no sof, na mesa, lhe dando um beijo antes de sair,
e ficando extremamente preocupado quando ela dava um simples espirro.

Assim como Mulder. 

Tal pai, tal filho.

Mulder tambm agia da mesma maneira. Depois de ter sido repudiado pelos
pais, e depois ter vivido uma vida cheia de traies, ele almejava e buscava
algum para confiar, e amar, e am-lo de volta. E ele encontrou isso nela.
Ento, ele era to dependente quanto Andrew. S que de maneira bem mais intensa. 
Como marido, ele tinha liberdades e direitos que Andrew no tinha, mas isso no 
diminua a ligao entre eles. Pelo contrrio, aumentou com o passar dos anos.

E quanto a William... desde pequeno, ela no teve preocupaes com ele. O
menino era pajeado pelo pai e pelo irmo, e por ela tambm. A parte 
disciplinadora era por conta dela, pois os outros dois faziam o que William
queria. No que ele fosse mimado, mas o menino era hiperativo. Onde Andrew
era calmo e tranqilo, William era uma pimenta sem freios. E s Scully, 
com aquele leve tom de advertncia, sem aumentar a voz, o controlava.

William exigia a ateno dela tambm. Quando ele nasceu, 
Mulder e Andrew tomavam conta dele, limpando, dando banho, trocando, e ajeitando a
casa enquanto ela no podia se levantar. E levavam William para ela quando
era hora de amamenta-lo. S ento o beb se acalmava, sentindo o toque
da me.

Scully estava ficando um pouco preocupada com esta dependncia dos seus
trs 'meninos',  mas, ao  mesmo tempo,  ela percebia que estava aproveitando 
muito disso tambm. Desde que tinha descoberto que  Andrew era seu filho, ela tinha 
feito um  voto de que no iria desperdiar nenhum tempo com dvidas ou hesitao, fazendo 
de cada dia como se fosse o mais importante entre eles. Ela iria aproveit-lo ao mximo 
como filho, como no pde fazer com Emily.

Ela parou ao lado do armrio baixo da sala, e pegou uma moldura, onde tinha
uma foto deles trs. Ela fez questo de tirar s deles, pois assim poderia colocar
na carteira, e olhar pra eles sempre que sentisse vontade. E eles fizeram
questo de tirar uma dela, at mesmo William, que com apenas cinco anos,
era de longe mais inteligente do que qualquer outra criana em sua idade.

Ela passou o dedo indicador pela foto, e no rosto da criana. To parecido
com ela... e ao mesmo tempo, com o temperamento de Mulder, e  os poderes
de Andrew... era uma combinao perigosa... 

Balanando a cabea, e sorrindo, ela parou com estes pensamentos. Seu
beb era saudvel, e normal. Apenas tinha algumas 'habilidades' que outros
no tinham. E mesmo com cinco anos, para ela ele sempre seria seu
beb...

Seus pensamentos foram interrompidos pelo telefone, e como ela estava um
pouco afastada, e com a fotografia na mo, ela decidiu deixar a secretria
atender. 

A voz de Andrew enche o ambiente, e Scully sorri mais uma vez, pois
se lembrou de que, a cada semana, ele e William se revezavam na
mensagem. Quando a gravao termina, Scully ouve algum falando, e
imediatamente reconhece  a voz.  

"Oi, Agente Scully... tudo bem?"

Krycek!

Ela no atende, e fica quieta, esperando que ele achasse que no havia 
ninguem em casa, e desligasse. J se foi o tempo, onde ela
pegaria o telefone de maneira ansiosa, achando ser noticias de Mulder.
Este tempo no FBI j passara h muito tempo. Agora eram tempos de
paz.

Mas ao que parecia, a paz iria comear a terminar.

"Eu sei que voc est a. E  melhor voc atender."

Mesmo assim, ela no atende, e aperta com mais fora a moldura com a
foto dos trs homens de sua vida.

"Bem, se voc no atender agora mesmo, Scully... William vai morrer
neste minuto."

O corao dela corre, mas ela no responde, achando que isto  um 
blefe. Mas sua mente j estava em dvida se atendia ou no. S de
pensar no seu beb...

"Ele est usando uma bela camisa azul, hoje. 
Muito bonita. Foi voc que escolheu?"

Ao ver que Krycek sabia como seu filho estava vestido, 
ela rapidamente atende o telefone. "No faa nada com meu filho, 
seno eu te mato!"

"Calma, Scully. No quero nada com seu filho. Meu interesse
 em voc."

Ela fecha os olhos, e respira fundo. "O que voc quer?"

"Uma coisa bem simples: sua cooperao."

"Cooperao no que?"

"Bem, pra comear, eu s quero que voc saia da sua casa, e entre no 
carro que est na frente da sua calada."

"Se voc acha que eu vou fazer isso, voc est..."

Krycek perde a pacincia, e mostra suas cartas. "Deixa eu te dizer uma
coisa, Scully."

Ela aguarda, sabendo que o que estava para vir a faria aceitar esta
louca ordem.

"Mulder est muito bem no trabalho dele, como investigador autnomo, 
e neste momento,  o caf acabou de queimar a lngua dele. Alis, a gravata
que ele est usando  to horrvel quanto a que seu outro filho, aquela cobaia
do Andrew, est usando tambm. Parece que pai e filho tm os mesmos
gostos..."

"E quanto a William... ele gosta muito de brincar no escorregador, no ?
No sai de l tem uns quinze minutos, e no brinca com outros brinquedos que
esto no ptio da escola dele."

Ele d uma longa pausa. Scully est tendo dificuldade para respirar. Ela fecha
os olhos. 

"Pena que se voc no cooperar, todos os trs vo ter algo em comum...
um buraco no meio da testa."

Scully fica desesperada, e no sabe o que dizer. Ela imagina a cena imediatamente,
e sente-se tonta, se apoiando na mesa do telefone, para no cair.

"E ento? Trato feito?"

Ela desliga, fica com lgrima nos olhos, e se vira para as fotos dos seus trs amados
rindo para ela. Ela coloca a moldura no lugar, e sem nem mesmo se incomodar
em olhar pra trs, ela sai de casa, entra no carro preto que a espera, parado na
calada. O carro sai, silencioso.

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Andrew estava trabalhando, indo para a outra empresa que o tinha contratado
para fazer a segurana digital de toda matriz, quando sentiu uma sensao estranha na 
cabea, algo que h muito tempo no sentia e....

Ele parou o carro, de repente. Felizmente, ele estava numa rua de pouco movimento, e no haviam carros atrs dele, o que evitou um grave acidente. Respirando fundo, ele tentou se concentrar no que estava sentindo, mas por dentro ele j sabia.

Sua me estava com problemas.

Se era dor, angstia, medo, ansiedade, ele no saberia dizer, mas a sensao incmoda estava l, dentro da cabea dele. E se estava dentro da cabea dele, tambm estava....

William!!!!

Fazendo um retorno ilegal, Andrew disparou na direo da escola de seu irmo. No importava que no estava na hora. Ele sempre pegava seu irmo depois de sair do escritrio, e dando uma olhada rpida no relgio de seu pulso, ele percebeu que faltava ainda uma hora para a sada de William. Tempo suficiente para seu irmo sofrer sem saber o motivo.

Ele j tinha percebido, desde o nascimento, que ele e seu irmo, mesmo tendo nascidos de maneiras diferentes, mas sendo filhos dos mesmos pais, tinham uma conexo que os mantinha unido. Andrew era capaz de saber o que William estava sentindo, quase tanto quanto sentia sua me. E agora, ele s podia sentir Scully, e por isso estava to preocupado sobre o que William poderia estar passando, principalmente porque William sentia Scully muito mais do que ele.

Ele acelerou mais ainda, e pegou o celular. 

Ele tinha que ligar para seu pai. Agora.

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Depois de um dia de tarefas, brincadeiras e merenda, William estava contente. Hoje 
era dia de artes! Ele gostava muito de fazer recortes, e colagens, mas s vezes 
ficava cansado de tanta repetio. E de tantos elogios. Apesar de ser peralta, ele no
gostava muito quando comeavam a elogi-lo. Ele s gostava de fazer o que lhe
era pedido, e nunca perturbando as outras crianas. Ele s no parava. Ficava
se movimentando o tempo todo. Mas era quieto. No falava muito, pois percebia que suas palavras meio que assustavam as pessoas, ele ficava
quieto e falava s o necessrio quando estava fora de casa.

Mas em casa era outra histria. Ele conversava com seus pais, e adorava 
todas as histrias que eles lhe contavam. Na verdade, seu pai lhe contava,
pois sua me nunca contou nada alm das histrias infantis que tinham
nos livros infantis. Ele at que gostava das historias, mas estava mais do que
crescido para saber que era tudo iluso. Ele s ficava quieto, e gostava muito
dessas horas, s porque era sua me que lia. 

A voz dela, o cheiro doce dela, a presena dela... eram suficientes para 
acalm-lo, e faz-lo dormir, mas ao mesmo tempo, faz-lo ficar
acordado, s para ter mais da presena dela. Era por isso que, quando ele 
acordava, a falta que ele sentia dela era incrvel, e ele ia direto pro 
quarto dos pais, e s quando sentia que eles estavam dormindo, ele
entrava no quarto, e deitava no meio dos dois, sempre abraando a 
me.

Ele sabia melhor do que ninguem que s podia entrar no quarto depois das
sete da manh. Antes disso, era terminantemente proibido qualquer um 
perturbar seus pais, nem mesmo Andrew. Depois que eles entravam no
quarto, eles no viam mais nem seu pai, nem sua me.

E William perguntou para seu pai o motivo. A resposta dele no o
surpreendeu. 

"Vocs j ficam tempo demais com sua me o dia todo. De noite, 
eu quero ela s pra mim" ele pegou William no colo, e fez ccegas
nele.

William entendia o motivo muito bem. Ele tambm gostaria de
ter a me dele com ele todo o dia, e toda noite, s para ela ficar
abraando ele e contando historinhas. Ia ser bem legal!!! 

E ele sabia que Andrew tambm queria ficar com ela. William teve
uma grande idia naquela mesma hora: ele iria dizer pro pai dele quebrar
as paredes dos quartos, fazendo um quarto nico, assim todo mundo 
iria poder dormir junto da mame. Ele sorriu. Seu pai iria gostar
tambm.

Pensando em sua grande idia, e ansioso para chegar logo em casa e 
falar isso para seus pais, e para Andrew, William comeou a pintar
seu desenho para a aula de artes, a ltima naquele dia, pois j tinha
passado a hora do recreio. Ento ele sentiu uma leve dor de cabea.

Tremendo a cabea, ele piscou os olhos azuis, tentando se concentrar
na pintura. Mas sua mo tremia, e ele comeou a se sentir mal, doente.
A respirao comeou a ficar rasa, e a dor na cabea comeou a aumentar.

Ele pensou em sua me, e imagens dela em casa, olhando para o 
telefone, apareceram em sua mente rapidamente, e ele no conseguia
entender o que estava acontecendo. S sabia que queria a me dele. 
Imediatamente.  Ele largou o lpis de cor, e apertou a cabea com
as duas mos, enfiando os dedinhos no cabelo ruivo.

"William, o que foi?"

Ele escutou sua professora falando com ele, mas ele s conseguiu 
falar, comeando a chorar.

"Eu quero minha me... mame... eu quero minha me..."

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Helen Smith era uma professora competente, e que gostava de seus alunos.
Trabalhar com o jardim de infncia foi a melhor escolha que tinha feito 
para comeo de carreira. Ela queria ser diretora de colgio, mas, agora,
no incio de sua carreira profissional, ela tinha que comear por baixo.
No que ela estivesse reclamando.

Este ano, pela segunda vez, ela pegou o jardim de infncia da escola
do bairro. E estava gostando muito dessa turma, mais do que a anterior.
Principalmente quando descobriu que tinha um aluno muito especial.
Fox William Mulder Jr.

Quando ela leu os nomes de seus futuros aluninhos, ela estranhou 
aquele nome. Que tipo de pais do o nome de Fox para seu filho?
Ento, ela descobriu o nome dos pais. O pai do menino tambm
era Fox William Mulder. A me devia amar muito o pai, ou o
pai tinha um ego do tamanho do mundo.

Na primeira reunio dos pais e professores,  para falar sobre as regras da
escola, e horrio, material, uniforme, etc... Ela ficou surpresa ao ver
que l estavam tanto o pai, a me, e o irmo.

E que irmo!

Ela estranhou os trs ali, quando apenas a presena de um dos 
responsveis era necessria, mas logo Helen percebeu que havia
algo especial naquela famlia. E no menino.

Durante toda a reunio, Fox Jr no tinha parado em nenhum
momento, ora indo para junto do irmo, ora para o pai, mas... ficando
muito mais tempo com a me.  Alis, est famlia era muito
bonita, Helen notou isso tambm.

No havia como negar que o menino era filho da mulher.
Mesmo cabelo ruivo, mesmo olhos azuis, mesma pele
branquinha... e at as sardas. E o irmo dele era a cara do
pai. Mas uma coisa era bem estranha. Ou aquela mulher
era muito bem conservada, ou ela se tratava em algum
tipo de clinica de beleza, pois ela com certeza no aparentava
ter um filho daquele tamanho. 

E ele era bem bonito! E isso ela podia atestar. Alm disso, o rapaz
era mesmo a cara do pai, que tambm no era de se jogar
fora. 

Um marido lindo e maravilhoso, um filho lindo e maravilhoso, 
e um menino lindo e maravilhoso. Mulher de sorte aquela.

Helen comeou a se apresentar, e falar, e imediatamente a mulher -
Dana Scully Mulder, com apenas uma palavra, controlou seu 
filho, e o menino parou na hora, ficando quieto, prestando ateno,
olhando para sua nova professora com curiosidade infantil, e com
aquela inestimvel expresso inocente que todas as crianas possuam.

Quando ela terminou de falar, ela se preparou para as perguntas de
sempre. Depois de terminada a reunio, os pais e as crianas comearam
a sair, com exceo dos Mulder. Eles foram os ltimos, e pararam perto
dela. Helen os olhou, confusa, e perguntou. "Posso ajuda-los em
alguma coisa?"

Um momento de silncio, e ento Dana Scully falou. "Meu nome 
 Dana Mulder, e eu gostaria que voc conversasse um pouco com 
William. Ele vai ser seu aluno, e  tem uma dvida, e eu queria 
que voc falasse com ele."

Estranhando isso, mas mesmo assim disposta a colaborar, ela
olhou para cada um deles, e viu no rosto de cada um a
expresso sria, e sentiu que isto era importante.

Helen se abaixou para ficar na mesma altura que o menino.
Ele era realmente lindo, e muito doce. Mesmo sem conhec-lo,
ela j tinha gostado dele. "O que foi, Fox?  esse seu nome, 
no ?" 

O menino olhou pra trs, pra me, que acenou com a cabea.
"Meu nome  Fox, mas prefiro que me chame de William."
ele parou, e olhou para ela, estranhamente. "Voc vai ser
minha professora?" ele continuou olhando para dentro dos
olhos dela, o que a deixou meio nervosa.

"Er... claro que sim. E espero que sejamos amigos. Vamos
aprender muitas coisas juntos. E voc vai poder brincar
com outras crianas tambm. Vai ser muito legal" ela
falou de maneira natural, nada de ficar imitando voz
de criana. As prprias crianas no gostavam quando um
adulto fazia isso.

William ficou olhando para ela mais alguns segundos, e
s ento se virou, e foi na direo da me, que o 
pegou no colo. O pai e o irmo estavam quietos, olhando
para o menino, que respondeu, olhando para a professora.
"Eu gosto de voc."

E com isso, ela tinha se tornado oficialmente professora 
de William.

Naquela ocasio, Helen pensou que era meio inconseqente
os pais darem tanta liberdade para o filho, que com
certeza cresceria mimado e  mal-educado. Mas ela sabia
que o caso aqui era bem diferente.

Desde o primeiro dia William mostrou que era mais esperto
que as outras crianas. Helen pensou em faz-lo pular um
ano, mas quando disse isso para a me dele, ela recusou,
dizendo que era importante que William convivesse com
crianas de sua idade. Isso fez Helen desistir do assunto.

Ela pensou em tudo isso, esperando os alunos acabarem sua
tarefa, e olhou para o relgio: ainda faltava uma hora para
terminar o horrio, e logo o irmo de William estaria aqui
para peg-lo. E ela fazia questo de entreg-lo pessoalmente
a ele - questes de segurana, claro! 

A quem ela estava enganando? Era bvio que ela estava
interessada nele, mas Andrew no estava nem a para ela.
Parecia que ele no tinha outra coisa a fazer do que 
trabalhar e ficar com a famlia. 

Ele tinha conquistado as mulheres solteiras, e as casadas, 
e as mes tambm, com seu jeito educado, e, tanto era 
bvio, sua linda aparncia. E saber que ele era bem
sucedido, e solteiro, o deixava mais atraente para todas
elas.

Erguendo a cabea, e tentando pensar em outras coisas,
Helen olhou para o objeto de seus pensamentos. E
notou que havia alguma coisa errada com William.

Parecia que, daqui, ele estava tendo dificuldade para respirar,
e que ele tinha parado de pintar - algo que ele gostava
muito de fazer, e ela foi at ele, e quando viu as mozinhas
irem para a cabea, apertando, como se estivesse com  muita
dor, ela correu para o lado dele, no sem antes avisar sua
auxiliar para ela olhar as outras crianas.

Ela se agachou ao lado de William, e perguntou se ele
estava bem. Mas o menino s ficava dizendo
"Eu quero minha me... mame... eu quero minha me..."

Helen pegou o rostinho dele entre as mos dela, e sentiu
o suor na testa dele, as sobrancelhas tensas, e os olhos
cheios de lgrimas. Ela imediatamente refletiu a
expresso de William, sinceramente preocupada com
ele. 

Numa atitude instintiva, ela o tirou da cadeira e o ergueu no colo,
e William a agarrou com fora, repetindo sem parar... 
"Eu quero minha me... mame... eu quero minha me..."

Ela saiu para a secretaria, pronta para agir.

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Mulder estava sentado, em seu escritrio, fechando mais um caso.
Este ltimo tinha sido bem complicado, e ele precisou contar com a 
ajuda da polcia local. Mas, felizmente, o mistrio havia sido descoberto,
e ele foi regiamente recompensado por isso. 

No que ele precisasse do dinheiro. Juntando a herana que tinha recebido,
junto com as 'posses' de Andrew, eles poderiam viver de renda. Mas,
como Scully mesmo disse,  a falta do que fazer era muito perigoso, e
por isso todos tinham que ter alguma ocupao diria, principalmente
para o bem estar dela.

Ele riu. Scully... h dez anos, ela tinha transformado a vida anormal,
triste e sem futuro dele numa nova vida. Uma vida de amor, carinho,
e muitas felicidades.

Ele ansiava chegar em casa hoje para poder falar com ela o quanto a 
amava. Apesar de fazer isso sempre, cada dia era mais precioso ainda,
e ele aproveitava todos os minutos para mostrar isso a ela.

E tinha que aproveitar mesmo. Os filhos dele exigiam a ateno dela
o tempo todo, e era incrvel como eles, principalmente William,
no tinha pedido para dormirem juntos com eles, s para no
ficarem longe dela de noite, depois de todas as atividades do dia.

Ele compreendia bem o sentimento. Ele mesmo se sentia muito
sortudo por poder dormir com ela todas as noites. Dormir, e fazer
amor. A cada noite, mesmo no tendo relacionamento completo,
s o ato de estar com ela, era o suficiente para deix-lo extasiado.

Enquanto se levantava da mesa para sair, o celular dele tocou,
e ele viu o nmero de Andrew no visor. Mulder estranhou, pois
dificilmente Andrew ligava pra ele, a no ser para fazer
alguma surpresa para a me dele, o que acontecia geralmente 
uma vez a cada quinze dias. Scully at fingia surpresa, pois
isso j tinha at virado rotina. E ela adorava os presentes, e 
William tambm sempre fazia alguma coisa, como um
desenho, pintura ou massinha, qualquer coisa pra dar
pra ela. 

Scully tinha um quarto s pra isso. s vezes ele a pegava l,
pensando. E a abraando por trs Mulder a beijava no
pescoo, quieto, s cheirando o doce perfume dela.

"O que foi, Andrew?" ele perguntou, sem prembulos, sabendo
que alguma coisa estava acontecendo. 

"Pai, vai pra casa agora. Aconteceu alguma coisa com a mame."
a voz dele era urgente, e Mulder sentiu o proprio corao 
comear a correr mais rpido.

"Andrew, o que aconteceu?" ele insistiu, mas j estava pegando as
chaves do carro, e indo pra porta.

"Pai, depois eu falo. V. pra. casa. agora!" Andrew pontuou as 
palavras, mostrando a necessidade disso.

"William..." Mulder se lembrou, mas antes que pudesse completar
a frase, Andrew respondeu. 

"J estou a caminho da escola para peg-lo. Pai, se eu estou assim,
voc sabe que ele..."

Mulder fechou os olhos ao entrar no elevador. Sim, ele sabia da
conexo que seu filho tinha com a me. Desde pequeno, quando 
Scully ficava nervosa, preocupada, ou qualquer outra coisa,
William mostrava as mesmas coisas, sempre chorando para
mostrar que ele estava sentindo algo, e s quando Scully
ficava bem, era que ele ficava bem tambm.

"Pega ele, Andrew, e  me encontre l em casa. Qualquer coisa,
eu te ligo." ele desligou, e aguardou o elevador chegar no trreo.

No sem antes ligar pra casa, e tentar descobrir o que estava
acontecendo.

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TITULO: ANDREW - LIVRO 2
Autora: Vancouver

PARTE 2: SITUAO

Krycek olhava preocupado para o relgio no pulso. Do pequeno espelho
com duas faces, ele vigiava Scully, ainda inconsciente com o remdio que
ele tinha lhe dado dentro do carro. Ela tinha lutado um pouco durante a
aplicao, e mais uma vez ele ficou surpreso com o amor dela por
Mulder, e por seus filhos. 

Ele vinha vigiando a famlia de Mulder j h algum tempo, e ficou surpreso
com as mudanas que tinha visto. Mulder parecia mais tranqilo, 
e junto com Scully, que estava cada vez mais bonita, eles tinham tido
dois filhos, um deles vindo de lugar nenhum. Andrew.

Este era uma incgnita. Do pouco que Krycek levantou sobre ele,
ele no conseguiu quase nada. Mas o importante no era ele. Era
Scully.

Ele descobriu, por caras e preciosas fontes dentro do Sindicato, que
este estava prestes a fechar uma vacina contra o vrus. Mas ainda
precisavam de um elemento chave para fazer com que a vacina
fosse infalvel, e isso eles s achariam dentro de Scully.

Pesquisas infindveis tinham sido feitas, e agora, eles no tinham
mais a quem recorrer. Devido aos registros antigos que eles tinham
dela, e mesmo atuais, eles chegaram  concluso de que precisariam
de algo dentro dela, e que s seria encontrado depois de vrios testes
e exames. 

Para Krycek, essas eram apenas palavras suaves que indicavam a
verdadeira finalidade: tortura.

Ele ficou triste por isso, mas no era este o motivo dele t-la seqestrado.
Ele estava ficando velho, sozinho, e nenhum pouco poderoso. Mas
agora, ele podia barganhar com os dois lados: Sindicato e Mulder.

O sindicato era riqussimo. E ele no tinha idia de qual era o 
tamanho da fortuna de Mulder, mas ele sabia que no era pouca.
No final das contas, ele teria o que queria: dinheiro - puro e simples.

O resto? Podia ir pro inferno!

Mas agora, olhando para Scully, to pequena, deitada no canto do quarto, 
no cho, ele ficou com um aperto no corao, mas rapidamente parou
de pensar nisso. Ele tinha que ver o que ela representava para ele:
seu futuro.

Felizmente ela no tinha percebido seu blefe. Ele tinha investigado e
acompanhado o dia a dia da famlia, e sabia dos seus passos. No foi
difcil. Mas isso foi feito em apenas um ms. A famlia tinha uma rotina
muito fcil de se entender. Ele estava trabalhando sozinho, e de jeito nenhum 
ele poderia fazer o que tinha ameaado: matar os trs ao mesmo tempo. Mas
essa ameaa foi o suficiente para fazer Scully cooperar.

Mas tudo tinha um limite. Assim que ela tinha entrado no carro,
ele enfiou um pano no rosto dela, que lutou um pouco, naturalmente,
mas rapidamente ficou desacordada, e ele cobriu o corpo dela com
uma manta, saindo do bairro, chegando a este local seguro.

Pelo menos por enquanto.

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Scully estava se sentindo enjoada. Aos poucos, ela foi recobrando a 
conscincia, e sentiu dores nas costas. Onde ela estava? E por que ela
estava deitada...?

Abrindo os olhos, ela olhou ao redor, vendo o quarto meio escuro, e o 
colcho em que estava deitada. Ela viu um pequeno banheiro no
fim do quarto, e se apoiou nos cotovelos, ainda meio zonza. Finalmente,
conseguindo ficar de p, ela foi, meio bamba, para a porta e tentou
abr-la, no ficou surpresa ao v-la trancada. 

Tirando o cabelo do rosto, e respirando fundo, ela foi para o banheiro, onde
encontrou um copo de papel, e o encheu de gua, bebendo. Ela
se olhou no espelho, e viu o rosto corado, o cabelo desarrumado, a
camisa amassada, e o cansao nos olhos. Meu Deus!... quando isso
iria acabar? Essa perseguio na vida dela? E de Mulder?

No contava que se passaram mais de cinco anos desde que algum 
tentou fazer algo contra eles. No contava que durante todo este tempo,
ela permaneceu feliz com sua famlia, sem se sentir ameaada....

Meu Deus! Mulder!!! William!!! Andrew!!! ela pensou ao mesmo tempo
nos trs. E comeou a hiperventilar. Acalme-se, Dana. Acalme-se.
Respire fundo, devagar.... 

Ela voltou para o quarto, e durante uma hora, ela lutou para encontrar
qualquer coisa para poder sair dali, abrir a porta, a janela, qualquer coisa
para tentar escapar. Mas depois de inteis tentativas, ela sentou-se no colcho. 
E fechou os  olhos, angustiada, se lembrando de sua famlia.

E comeou a chorar silenciosamente.

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Andrew dirigia como um louco. Ele estava a cinco minutos da escola, e 
j havia sido parado por um policial. Pouco ligando para a multa, ele
estava pensando, e cada vez mais tinha certeza de que sua me estava
em perigo. Mas ele colocou, com muita dificuldade, estes sentimentos
de lado, para se concentrar em William.

Ele sentia o menino sofrendo, mais intensamente do que ele sentia a
sua me. Sua ligao com Scully era forte, mas a do menino era mais;
William era mais ligado  me do que o prprio Andrew. 
Ele j tinha uma idia do que encontraria na escola, mesmo sem isso nunca ter acontecido
antes. 

Cantando os pneus ao parar em frente  escola, Andrew pulou
do carro, correndo para a entrada, e passando pela recepo.
Mas quando ia falar alguma coisa, e pedir para chamarem William,
a professora dele apareceu, com William no colo dela.

Andrew notou como a moa segurava seu irmo, tentando
acalm-lo, acariciando seu cabelo, e como William a agarrava,
choramingando e chorando, os lindos olhos azuis, to iguais ao
da sua me, totalmente aguados. Andrew foi direto para eles,
e William ergueu a cabea, gritando assim que o viu:

"ANDY!" e ele esticou os bracinhos, pronto para ser abraado
pelo irmo, e no foi desapontado. Andrew j estava ao lado dele,
tirando-o dos braos da professora. William enfiou o rosto contra
o pescoo dele, e Andrew sentiu a gola ficando mida j com 
as lgrimas do pequeno. A professora parecia confusa, como se
no soubesse o que estava acontecendo, e Andrew escutava o choro
do irmo, e as palavras bem ntidas: 
"Eu quero a mame, Andy... eu quero a mame... cad a 
mame? Eu quero ela...."

Essas ltimas palavras foram ditas com William o olhando 
diretamente, e Andrew no teve como responder a isso. No
agora, e de qualquer maneira. Ele mesmo estava muito 
preocupado com o baixinho, que suava, respirava rpido, e 
tremia. E Andrew tinha uma vaga idia do que estava
acontecendo. Ele no sabia o que fazer agora, a no 
ser abraar o irmo. Colocando a mo sobre a pequena
cabea, ele fez William deitar no ombro dele.

Ele vagamente escutou o que a professora tentava dizer.

"Seu nome  Andrew, no ?" a professora repetiu, vendo
obviamente que o rapaz no a escutou da primeira vez.

"Sim, sou. Sou irmo de William. E voc ..." 

"Sou a professora dele. Helen Smith. Estou preocupada com
ele... e queria saber como voc..."

Andrew a cortou. Ele no tinha tempo para explicaes. "Eu
vou lev-lo, pois aconteceu uma emergncia de famlia.
Precisamos chegar em casa o mais rpido possvel." ele
parou, e pensou em alguma coisa. "O que aconteceu com ele?"

Helen comeou a explicar. "Ele estava bem, pintando, e de
repente parou, comeando a tremer, e chorar, e suar, e isso
me deixou nervosa  - nunca vi uma criana ficar doente to 
rpido, dessa maneira. E ento eu o peguei no colo, vim pra c,
e liguei pra casa dele, mas a secretria atendeu. Ento eu 
liguei para o celular da me dele, mas ningum atende. E ento
quando eu ia ligar para o outro nmero, voc apareceu e..."

Helen tambm estava nervosa com o que estava acontecendo.
Era bvio que alguma coisa grave aconteceu na famlia. Ela
falava sem parar, e Andrew notou seu estado de nervos.

"Eu agradeo muito por voc ter ficado com ele. William 
 muito sensvel. Pode deixar que eu cuido dele. Obrigada, 
Helen." ele falou, devagar, tentando passar uma tranqilidade
que ele no sentia. William o agarrou com mais fora, 
e ento chorou. "Eu quero a mame, Andy..."

E Andrew respondeu, mentalmente. 'Eu tambm, baixinho...
eu tambm.'

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Mulder parou o carro, a bem da verdade de maneira bem igual 
que Andrew parou na escola para pegar William. Correndo para
a porta da frente, ele sacou a arma, pois mesmo no sendo um
agente do FBI, ele ainda possua licena para portar uma. Levando
a mo  maaneta, ele viu que a porta estava destrancada. 

Entrando com cuidado, Mulder notou o silncio, e verificou a sala 
imediatamente, arma pra cima. Ele notou uma bolsa de compra,
a bolsa de Scully, e foi at l. Olhando rapidamente para baixo,
ele passou para a cozinha, banheiro, e subindo as escadas, ele 
verificou os quartos, cada vez mais nervoso. Ao fim da vistoria,
ele j no andava, corria, verificando tudo mais uma vez, 
gritando o nome de Scully, rezando para que ela estivesse desmaiada,
e era este o motivo dela no responder ao chamado dele.

"Scully!! Onde voc est?" ele continuou, mesmo no tendo resposta.
"Scully?!?!" Mulder j gritava, e ento, voltou para a sala, indo para
os fundos, e checando todo o permetro da casa. No encontrou nada.

Passando a mo no rosto, a outra ainda segurando a arma, ele
voltou para casa, murmurando o tempo todo: 'no,no,no,no',
no acreditando que isto estava acontecendo. Por que? E por que
agora?

Milhes de perguntas estavam em sua mente, e nenhuma delas tinha
resposta. Onde ela est? Ela est bem? Quem a levou? Ou ela saiu
sozinha? e muitas outras. Ele ficou na sala, guardou a arma, e mais
uma vez verificou o ambiente. 

Vendo o telefone, ele se aproximou, e tocou a fita. Havia um recado
de Maggie Scully, convidando-os para jantar no fim de semana na casa
dela, e mandando um beijo para seus 'netinhos', e isso fez Mulder at
sorrir um pouco. Essa av mimava realmente seus netos. Scully 
sofria para evitar isso, mas no tinha jeito. E Mulder tambm era
paparicado pela sogra, que tinha virado uma me pra ele.

Mas foi a prxima mensagem que fez seu sangue gelar. 

"Oi, Agente Scully... tudo bem?"

Krycek!

Mulder percebe que a mensagem no foi atendida. Ento havia a
chance de Scully no ter chegado em casa. Mas a frase que foi dita depois
derrocou este pensamento.

"Eu sei que voc est a. E  melhor voc atender."

Mulder, j suando, imagina toda a cena em sua cabea. Scully aqui, sozinha,
com este rato, e a vontade que ele tem  pegar o aparelho, e mand-lo
contra a parede. Mas ele sabe que precisa escutar o resto. 

"Bem, se voc no atender agora mesmo, Scully... William vai morrer
neste minuto."

Mulder fica sem ar. Mas que desgraado filho da me... e Krycek 
continua seu maldito monlogo.

"Ele est usando uma bela camisa azul, hoje. 
Muito bonita. Foi voc que escolheu?"

S ento Scully respondeu. E Mulder fechou os olhos ao ouvir a voz
dela. Furiosa. "No faa nada com meu filho, 
seno eu te mato!"

"Calma, Scully. No quero nada com seu filho. Meu interesse
 em voc."

A isso, Mulder gela. No - de novo no. "O que voc quer?" ele escuta
ela perguntando.

"Uma coisa bem simples: sua cooperao."

"Cooperao no que?"

"Bem, pra comear, eu s quero que voc saia da sua casa, e entre no 
carro que est na frente da sua calada."

"No!!!" Scully, voc no pode fazer o que ele quer...  Mulder pensa, 
aflito, e fica aliviado quando Scully diz.

"Se voc acha que eu vou fazer isso, voc est..."

Krycek a corta imediatamente. "Deixa eu te dizer uma coisa, Scully.
Mulder est muito bem no trabalho dele, como investigador autnomo, 
e neste momento,  o caf acabou de queimar a lngua dele. Alis, a gravata
que ele est usando  to horrvel quanto a que seu outro filho, aquela cobaia
do Andrew, est usando tambm. Parece que pai e filho tm os mesmos
gostos..."

Mulder franziu a sobrancelha. Nada daquilo tinha acontecido hoje. Apesar
da gravata, que realmente era uma das favoritas dele, como a maioria
que tinha, no havia nada de especial no que Krycek disse. E o gosto 
de Andrew para gravatas mudou desde que o rapaz percebeu que era
mais divertido usar gravatas que chocavam os outros. O que o preocupou
era o fato de que Krycek sabia que Andrew era produto de uma
experincia.

"E quanto a William... ele gosta muito de brincar no escorregador, no ?
No sai de l tem uns quinze minutos, e no brinca com outros brinquedos que
esto no ptio da escola dele."

Mulder escuta a respirao pesada de Scully. E ele respira da mesma 
maneira com ela.

"Pena que se voc no cooperar, todos os trs vo ter algo em comum...
um buraco no meio da testa."

Ainda sem resposta de Scully. Mas Mulder j sabia o que se passava na
mente dela. Ela faria de tudo para salv-los. At se sacrificar.

"E ento? Trato feito?"

A ligao  encerrada, e s ento Mulder percebe a foto que est ao 
lado do telefone. Era uma foto deles trs, juntos, uma das preferidas
dela, pois ali estavam os trs 'meninos' dela, como ela sempre dizia.
E ento, ele olha pra 
porta, assombrado, podendo ver a hora exata quando ela saiu e se entregou 
de livre e espontnea vontade nas mos de Krycek.

E quando ele ia se espojar no prprio desespero, ele ouviu um carro 
parando na calada, pneus cantando no asfalto, e a porta em que estava
fixado seu olhar se abriu completamente , e Mulder viu dois dos seus trs bens 
mais preciosos entrarem, e imediatamente percebeu a situao. 

Agora era oficial. O pilar da casa tinha sumido, e a casa estava
desmoronando.

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Ao chegar em casa, Andrew podia ver a porta meio aberta. Mas ele viu
o carro do pai, e ento sabia que no havia perigo l dentro. Pegando
William no colo, ele foi na direo da casa, e entrou. A cena que presenciou
agora cortou seu corao. Seu pai era a imagem do desespero.

Alis, tudo agora gritava desespero. William chorando baixinho,
Mulder desesperado, e ele mesmo se sentindo indefeso. O que estava
acontecendo, afinal de contas?

"Pai?" ele perguntou, e ento Mulder finalmente tirou os olhos de
William para poder olhar para Andrew, e silenciosamente lhe dizer
que eles iam falar mais tarde.

Mulder andou at a entrada, e pegou William no colo. O garoto
estava inconsolvel, e com febre, chorando, e aquilo cortou o 
corao de Mulder em dois. Ele tinha vontade de fazer isso 
tambm, mas neste momento, ele precisava ficar firme, forte,
para poder ser capaz de investigar a situao e trazer Scully de
volta. 

Viva.

Os pensamentos de Mulder foram interrompidos pela voz de
William. "Pai? Cad a mame?" 

Mulder olhou para ele, e viu pelo canto do olho que Andrew estava
fechando a porta, e verificando a sala tambm.

"Mame ainda no chegou em casa, filho. Ela ligou e disse que vai chegar
mais tarde. Ela falou para voc tomar banho, e jantar direitinho, e ento 
dormir, e te mandou um beijo, dizendo que amanh ela contaria duas
histrias para voc , ao invs de uma."  Mulder tentou convencer o 
filho, que o olhava com enormes olhos azuis, tristes.

"Mas eu quero a mame, papai..." ele choramingou, e Mulder 
gemeu intimamente ao que estava acontecendo. Ele no tinha
estrutura para lidar com isso. No tinha. Ao sentir uma mo
no ombro, ele se virou, e viu Andrew ao seu lado.

"Vem c, baixinho. O mano vai te contar uma histria muito legal
sobre um cara que s tinha uma perna." isso chamou a ateno de
William temporariamente, e Mulder lhe devolveu William. 

"Mas eu quero a mame..."  ele insistiu, e Andrew o interrompeu, de
maneira bem firme. 

"Voc j ouviu o que o papai disse? Ela vai chegar tarde, e voc
sabe muito bem que ela no gosta quando voc passa da hora
de dormir. Se ela souber que ns te deixamos acordados, ela vai 
bater em todos ns!" Andrew fez uma cara de pnico, e isso fez
William sorrir.

"Mas ainda  cedo para dormir." ele argumentou, vendo a luz
do dia do lado de fora.

"Mas voc ainda tem que tomar um banho, trocar de roupa, tem
o seu desenho na televiso, e depois a janta. Ento ns podemos
jogar um pouco, e a eu te conto a histria do homem
sem perna... e voc vai dormir."

"E quando eu acordar, a mame vai estar do meu lado, para me
dar um beijo!" William falou, agora mais um pouco animado, mas
ainda um pouco corado. Os olhos ainda estavam midos.

Ao ouvir isso, Mulder fechou os olhos. Ele no queria saber
o que ia acontecer amanh.

Andrew, vendo a atitude do pai, levou William para cima, conversando
com o menino. Aproveitando que estava sozinho, Mulder sentou, e 
comeou a pensar no que poderia fazer.

Primeira coisa: ligar para os Pistoleiros. Foram eles que instalaram toda
a segurana da casa. Com certeza saberiam dizer sobre uma ligao feita
para c, e de  onde veio. E enquanto eles checavam, Mulder veria
a cmera de segurana externa, e interna, para ver o que tinha acontecido.

"Pistoleiros Solitrios." Frohike atendeu.

"Aqui  Mulder. Chequem a ltima ligao feita para este telefone,
e de onde foi feita. Imediatamente! A vida de Scully pode depender 
disso." ele no esperou o retorno de Frohike. Eles eram seus amigos,
mas tambm trabalhavam com ele, ajudando-o nos seus casos,
e sabiam muito bem o quanto Scully era importante para eles,
e sem dvida atenderiam a urgncia do chamado.

Indo para a biblioteca, Mulder abriu a estante, e l dentro, estavam quatro
monitores, com quatro vdeos. Ele pegou a fita da sala, e voltou, vendo
a hora exata em que a mensagem tinha tocado no telefone.

Ele viu a atitude de Scully, parando ao ouvir a mensagem, depois 
ficando com raiva, e ento se resignando em fazer o que Krycek
queria. Mulder quase gritou para ela no sair pela porta, mas sabia
que era intil. Vendo a hora, ele foi para a cmera externa, e
viu o carro preto parado na calada, e Scully entrando, e
ento, o carro arrancando.

E junto com o carro, a vida de Mulder. 

Ele pegou as fitas, e voltou pra sala. O telefone tocou, e 
ele atendeu. Eram os Pistoleiros. 

"Mulder?" era Frohike de novo. "Mulder, a ltima ligao
foi feita da escola." Mulder olhou para o telefone. Ele no
tinha olhado a mensagem que vinha depois da do Krycek.
Ento conferimos todas de uma vez. A penltima foi feita
de celular. Conseguimos rastrear por torres, e a triangulao
mostra a sua rea. Quem ligou estava perto da sua casa. E
a terceira foi da me da agente Scully."
a tristeza na voz de Frohike era tangvel. Dali eles no 
conseguiriam nada.

Mulder j suspeitava disso. Krycek no era burro, e foi agente do
FBI. Sabia muito bem o que poderia ser feito para despistar
quem quisesse. 

"Obrigado pela ajuda, Frohike. Estou tentando encontrar mais algumas
coisas e-"

"O que aconteceu, Mulder?" ele insistiu, e Mulder achou que eles
tinham que saber tambm.

"Scully foi levada. Por Krycek." a isso, ele ouviu um suspiro coletivo.
"Ela saiu daqui de casa, e tenho as fitas que mostram isso."

"Fitas? Traga elas pra c. Ns podemos tentar achar alguma
coisa."

"No quero sair daqui de casa, Frohike. Ser que dava..."

"No gaste saliva, cara. Estamos indo pra a." a ligao
foi encerrada.

Colocando o telefone no gancho, ele respirou fundo, e se virou. Andrew
estava olhando pra ele.

"O que aconteceu, pai?" ele perguntou, mas Mulder estava preocupado
com William. 

"Onde est o William?"

"Na banheira, tomando banho. Ele est um pouco mais animado,
mas ainda pede a mame. Pai-"

"Ela foi levada, Andrew. Por um velho inimigo nosso. E s tenho algumas
coisas nesta fita, mostrando ela indo embora, e nada mais. Eu no
sei-"

Andrew chegou perto dele, colocando a mo dele sobre o brao do
pai. "Pai, no fique assim. Ns vamos traz-la de volta. Eu
prometo isso."

Mulder olhou para o filho, completamente surpreso. "Mas como
voc pode fazer tal afirmao, Andrew? No temos nada aqui, a
no ser um telefonema, e as fitas."

"Eu quero escutar o telefonema. E ver as fitas." Mulder hesitou, 
no sabendo o que fazer. Mas Andrew o ajudou. "V dar uma olhada em William
pai. Eu vou ficar bem." a voz era firme, se no ameaadora, e
Mulder lembrou que Andrew no era um rapaz comum,
ele tinha alguns talentos muito especiais. E pela primeira vez
desde que ele chegou em casa, Mulder sentiu uma pequena
esperana.

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Andrew se sentou, furioso, depois de escutar a mensagem na secretria
eletrnica. Ele queria pegar este Krycek, quem quer que fosse, e
mat-lo, a sangue frio. Ele sentiu o metabolismo dele mudando,
e se forou a se acalmar. Ainda no era hora para isso.

Ao ouvir a doce voz da me, furiosa, defendendo William, e depois v-la
se entregando para poder salv-los, a admirao e amor por ela 
cresceram mais ainda, como se isso ainda fosse possvel. E o mnimo
que ele podia fazer era traz-la de volta, em segurana.

E agora, uma hora depois que seu pai tinha subido, Andrew estava
preparado para agir. De uma maneira ou de outra. A nica coisa que
eles tinham agora era a ligao dele com a me, e a do prprio William.

Era bvio que eles no usariam o menino para essa busca. De jeito
nenhum colocaria em risco a vida do pequeno. E ento, enquanto
pensava no plano de ao, ele viu seu pai descendo as escadas, com
William no colo.

Andrew gemeu por dentro ao ver o estado do irmo. Parecia que o
bichinho tinha ficado mais fraco, e mais triste, e a preocupao que
viu no rosto do pai foi o suficiente para faz-lo ficar de p
e ir na direo deles. 

"O que aconteceu?" ele perguntou, e Mulder falou numa voz
baixa. 

"Ele quer a me dele" Mulder respondeu, pura e simplesmente. A voz
estava triste, mas mesmo assim, ele se forou a dizer. "Mas ele j
sabe que a me dele quer que ele coma o jantar, que ela fez com 
tanto carinho pra ele, e ento ele vai dormir..."

"E ento ela vai me dar um beijo amanh" William completou, mais
animado com esta idia. 

Mulder e Andrew trocaram um olhar preocupado. Se Scully no
estivesse em casa pela manh - o que provavelmente iria acontecer,
eles no podiam imaginar o que William faria, e como reagiria.
O que estava acontecendo j no era bom. 

Eles foram comer, sem fome, mas se foraram a fazer isso por
William, que tambm no comeu muito. Depois do jantar, que
foi feito em silncio, Andrew subiu com William, que queria
ir andando, e juntos foram para o quarto, onde Andrew o colocou
na cama.

Depois de ter certeza de que William estava dormindo, 
Andrew desceu, e encontrou Mulder ao telefone. E ao 
chegar perto, ele ouviu algo que o deixou mais do que
ansioso.

"Onde ela est, seu desgraado?" a voz era quase gritada, 
e as veias no pescoo de Mulder estavam saltadas. "Eu
quero falar com ela agora!"

Andrew apertou o boto do viva voz, e imediatamente escutou
a voz do rato que tinha levado sua me de casa. Pra longe deles.

Mulder colocou o telefone no gancho, enquanto Krycek 
respondia.

"Ela est comigo. Onde mais ela estaria?" a risada
dele os deixou furiosos. "E voc vai falar sim, mas eu tenho
algumas coisas a dizer."

"Solta ela, Krycek. No temos mais nada a ver com essa
sujeira que voc est metido." Andrew escutou seu
pai falar com controle, mas ele sabia que ele  estava
a ponto de explodir.

"Oh, mas vocs tem sim. E tem uma coisa que eu quero de
vocs, para poder solt-la." 

"O que voc quer? Eu te dou tudo que eu tiver." 

"Interessante voc dizer isso, pois  isso mesmo que eu
quero."

Mulder olhou para Andrew, no acreditando no que
estava ouvindo.

"Voc est fazendo isso por dinheiro? Krycek, voc virou
mercenrio?" Mulder riu, desdenhoso, mas parou imediatamente. 
No era hora para este tipo de piadas.

"Eu sempre fui um mercenrio, Mulder. Trabalho para quem
me pagar melhor. E agora, estou trabalhando por conta
prpria, e quero minha aposentadoria. Nas Bahamas, claro.
Mas, pra isso, preciso de dinheiro."

"Quanto voc quer?"

"10 milhoes de dlares."

Mulder suspirou a isso. Ele no tinha essa quantia. Ele tinha perto
de cinco milhes, mas estavam aplicados, mas ele daria um jeito
para arrumar, e -

Ele parou de pensar, e viu Andrew gesticulando. E fazendo mmica.
'Transferencia eletrnica'.

"Em dinheiro?"

"Voc acha que sou estupido? Isso  quantia demais para poder
ficar carregando por a. Tem que ser feito eletronicamente."

Andrew acenou com a cabea, e Mulder respondeu imediatamente.

"Tudo bem, Krycek, mas eu quero falar com Scully agora mesmo!"

"Calma Mulder, ela t aqui... diz oi pro seu maridinho, Scully..."

Um ofegar, e ento, "Mulder?"

Os joelhos de Mulder falsearam, e Andrew o segurou pelo
brao, tambm muito aliviado ao ouvir a voz de sua me.

"Scully? Voc est bem? Voc-"

"Mulder, eu estou bem..." a voz estava fraca, e cheia
de sono. Ela parecia estar dopada.

"Chega de conversa doce. Vamos aos negcios. Quero o 
dinheiro numa conta que eu tenho nas Caymans."

"O que voc deu pra ela, Krycek? Se voc a machucou..."

"Eu tive que sed-la. Mas ela est bem, Mulder. Eu no
estragaria uma mercadoria to valiosa assim."

'Ela  mais valiosa do que voc pensa, Krycek.' Mulder 
pensou, e Andrew teve que concordar com o que o pai
pensou tambm.

Mulder anotou o nmero. "Quando voc vai solt-la?"

"Assim que eu tiver confirmao de que meu dinheiro 
chegou na minha conta. E s pra voc saber, Mulder.
O sindicato tambm vai querer participar do negcio.
Ouvi dizer que eles queriam sua esposa, e ento eu a
peguei primeiro, para fazer uma pequena caixinha. 
Eles pagariam o que eu pedisse, Mulder, mas eu 
te dou a preferncia. Afinal de contas, ns somos 
amigos de longa data...."

Mulder fumou ao ouvir isso. Mas que ousadia deste 
filho da me, pensar que eles eram amigos. Antes
que pudesse falar, Krycek foi direto ao assunto.

"E no tente nada, espertinho. Se eu no tiver 
noticias suas at o amanhecer, vocs nunca mais vero
a Scully de novo. Tenho certeza de que o celular foi
rastreado, e o nmero encontrado. Mas isso no 
adianta pra nada. Ento, me liga quando voc tiver
feito a transao, Mulder. Ento eu solto ela."
 E com isso, ele desligou.

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TITULO: ANDREW - LIVRO 2
Autora: Edna Barros


PARTE 3: BUSCA & RESGATE


Uma dor no corao. Adrenalina correndo pelas veias. Um frio na
espinha. E uma raiva cada vez mais incontrolvel. 

Era assim que Andrew se sentia. Ele estava subindo pelas paredes
para poder colocar as mos neste miservel que ousou colocar as mos
na sua me, e a levou para longe deles. Durante a ligao, ele permaneceu
focalizado, entendendo o que o bandido queria, e j planejando um
curso de ao. 

"Andrew?"

A voz do pai, preocupada e nervosa, lhe chamou a ateno, tirando-o
de seus pensamentos. Olhando para o lado, ele viu os olhos esverdeados
o questionando, mas Andrew foi direto ao assunto. Eles no iam permitir
que Scully ficasse mais tempo nas mos do seqestrador. 

Principalmente por causa de William. 

Era bvio que o menino estava sofrendo por isso. No que ele estivesse
sofrendo as mesmas coisas que ela, mas sua ligao com a me, e mais
sua inaptido para controlar suas prprias emoes o confundiam,
e assustavam. Andrew, por ser mais velho, mais experiente, podia
se controlar at um certo ponto, mas William no. E o menino estava
esperando ver sua me de manh, e esperando um beijo dela.

Andrew no iria desapont-lo.

"O que voc vai fazer, pai?" ele falou por falar, pois j sabia o que 
Mulder iria fazer. Ele no tinha outra sada.

"Vou pagar, claro. Mas no sei como... voc sabe que no temos esse
dinheiro e..." Mulder parou ao ver o sorriso de lado de Andrew.

"Ns temos esse dinheiro, pai. Acredite. Alis, ele est sendo bem aplicado
neste momento". 

"Mas, como..." foi ento que ele se lembrou do que Andrew tinha feito
com o sindicato. Roubando seu dinheiro - corrigindo, se apropriando de
maneira indevida de um dinheiro que seria usado para fins ilcitos - ele
tinha feito uma 'poupana' e tanto, mas Mulder no tinha idia de 
quanto dinheiro havia sido 'desviado' dos fundos do sindicato. 

"Vamos dizer que  uma quantia alta o suficiente para colocar meu
nome na lista do 10 mais ricos da Forbes." ele sorriu, e ao ver a
preocupao do pai, e ler sua mente, ele completou. "Fique tranqilo,
pai. Quando fiz isso,  bvio que no pude mais entrar. No da mesma
maneira, claro. O sindicato no seria to burro em deixar suas 
fraquezas on-line. Eles se armaram, eliminaram as fraquezas, mas sempre
tem outras por a que eles mesmo no sabem..." Andrew suspirou, e 
indo para a janela, olhando pra fora, ele completou. "Mas isso no ser
necessrio."

Mulder o olhava, mudo. O que Andrew queria dizer com isso? "Voc
no ouviu o Rato? Precisamos depositar a quantia o mais rpido possvel
e se isso no for feito, ele entrega Scully para o sindicato, que vai 
pagar o que for necessrio para t-la de volta, e ns no podemos 
deixar isso-" mais uma vez ele foi interrompido por Andrew.

"Pai, eu vou traz-la de volta. Agora." Andrew parou, e depois de
uma longa pausa, ele continuou. "Voc precisa ficar com William.
Acalm-lo. E alm disso, voc iria me atrapalhar." ao ver
a pronta atitude de Mulder para contestar, ele continuou. "No
estou dizendo que voc est ficando velho pra isso, mas  que
eu vou conseguir resolver isso mais rpido, sozinho."

"Mas como voc vai conseguir encontr-los? No d pra 
rastrear, e no temos nenhuma pista." Ele se levantou de
novo, nervoso. "Alm disso, eu preciso ir tambm."

Andrew tremeu a cabea, e tentou convencer seu pai. "William
precisa ficar com algum, e no vamos lev-lo para a vov
agora. Ele precisa de voc, pai. E voc sabe muito o que eu
sou, e a ligao que tenho com a mame, e que posso 
chegar onde ela est, apenas seguindo meus instintos.
No preciso record-lo da quadra de basquete, preciso?"

No precisava. Mulder se lembrava muito bem do que tinha
acontecido naquela noite:

Quando Andrew, de repente, parou,
no pegando a bola que ele tinha lanado pra ele.

Que Andrew saiu correndo, numa direo certa, confiante
do que encontraria.

Que ele viu Andrew matando, a sangue frio, com as mos nuas,
dois assassinos treinados do sindicato.

E que ele viu Andrew se transformando pra fazer isso. Do mesmo
jeito que ele via agora. No com a mesma intensidade, mas dava
para perceber que Andrew estava precisando fazer alguma coisa,
seno ele explodiria.

Talvez isso desse certo. Tinha que dar. Era a nica chance que eles
tinham. E era a nica chance que Scully tinha tambm.

"O que vamos fazer em relao ao dinheiro?" A preocupao de
Mulder agora era que Krycek visse  o dinheiro o mais rpido possvel, e entregasse
logo Scully de volta. Assim eles poderiam ganhar tempo. Agora
ele no duvidava de que Andrew pudesse fazer o que tinha que
fazer.

"Eu vou usar meu computador para fazer uma coisa. No pergunte
o que. S posso dizer que nenhuma segurana de nenhum banco
 infalvel pra  mim." ao protesto de Mulder, ele completou.
"Pode deixar, pai. No vou assaltar nenhum banco. S vou
pegar... emprestado" e com um sorriso de lado, completou.
"Se bem que com os bilhes de dlares de lucro, por ano, que
os bancos conseguem, dez milhes  fichinha pra eles."

"E ento, eu ligo pra ele, dizendo que o dinheiro foi depositado."
Mulder falou, e Andrew concordou, mas no sem antes Mulder
notar seu olhar. "O que foi?"

"Voc acha sinceramente que um cara como este vai se arriscar
assim?  bvio que ele j entrou em contato com o Sindicato.
Ele vai querer ganhar dos dois lados.  por isso que preciso ir.
Ele vai entregar a mame para o primeiro que chegar l. Ou
o primeiro que pagar. Ele pode te enganar, dizendo que ela
j est livre, quando ela j pode estar nas mos do Sindicato."

Mulder fechou os olhos, no querendo imaginar esta
hiptese. Ele sabia que no havia outra sada. Andrew estava
sendo o racional aqui. Mas ele ainda tinha uma dvida.
"S tenho mais uma pergunta."  Mulder viu que Andrew estava
pronto para agir, e ele, mais do que ningum, queria Scully de
volta. Mas ele ainda precisava de uma resposta. Andrew parou,
tenso. Ele queria agir logo mesmo.

"Como voc sabe que ela est  perto?" 

"Eu sei, pai. Eu sei." e dizendo isso, Andrew foi para o escritrio,
e ligou o computador. Quinze minutos depois, ele saiu, e encontrou
seu pai no quarto de William. Ele estava sentado na beirada da cama,
acariciando o cabelo do filho. At mesmo da porta, dava para ver
o menino ainda suando. A pele branca, to parecida com a da me,
brilhava na luz fraca do abajur.

Sem dizer nada,  Andrew foi para o prprio quarto, e colocou roupas
pretas. Voltando pelo corredor, ele novamente passou pelo quarto,
e desta vez Mulder olhou para ele, e acenou com a cabea, e Andrew
leu seus pensamentos.

<Traga ela de volta> e depois de uma pausa. <E tome cuidado>.

Andrew acenou com a cabea em resposta, e saiu. Descendo as 
escadas, ele rapidamente saiu da casa, entrou no carro, e saiu,
to silencioso quanto a noite.

O desgraado do rato Krycek, no saberia o que o atingiu.

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A angstia de Scully no tinha como ficar maior. Ela
estava totalmente desesperada com o que estava acontecendo,
imaginando que nunca mais veria Mulder,  Andrew ou William...

William...

Era com este que ela mais se preocupava. Ela sabia como seu 
beb ficava quando ela estava num daqueles humores. Podia
ser algo que ele, sem querer, fazia quando ela estava
agindo de maneira diferente, mas ela sabia melhor: ele
realmente empatizava com ela quase todos os seus sentimentos.

Raramente ele estava triste. Isso se devia ao fato de que ela
raramente estava triste tambm. Alm do maravilhoso casamento
com Mulder, ela tinha dois  lindos filhos, uma casa perfeita,
um emprego no estressante, e uma vida feliz. O que mais uma
mulher poderia querer?

Mas at mesmo durante os ataques de TPM dela, William 
tambm ficava irritado. Num dia em que ela se sentiu deprimida
e preocupado por sua me estar muito doente, ele tambm
mostrou isso. At mesmo as coisas mais simples, como
uma briga boba com Mulder, ou um dia atpico no trabalho
dela, refletiam nas emoes de seu beb.

Mulder at brincou numa ocasio, tentando minimizar os
efeitos de uma Scully em TPM. 

"Eu tenho dois furaces Scully dentro de casa."

Ela meio que riu, meio que brigou com a piada manca,
mas mesmo assim, no havia como negar a verdade
em suas palavras.

Ela sabia que ele deveria estar se sentindo mal agora, pois
ela estava se sentindo mal tambm. Ela estava angustiada,
e William tambm poderia estar. Ela esperava que Mulder
soubesse como lidar com isso.

Apenas algumas horas haviam se passado desde aquele telefonema.
Horas que pareciam como anos. Quando ela descobriu os verdadeiros
motivos que levaram Krycek a realizar este ato estpido, ela
percebeu no que ela tinha se transformado. Na verdade, no que ela
sempre foi. 

Uma mercadoria. Uma reles e indispensvel mercadoria.

Sua vida no mais lhe pertencia. Ela era de quem pagasse mais. E
ela sabia que Mulder no tinha o dinheiro para pagar o resgate.
Ele e Andrew fariam de tudo para conseguir o dinheiro, mas 
ela sabia que seria difcil.

O que deixava apenas uma opo: tentarem retir-la dali. Mas,
como eles saberiam, em to pouco tempo, onde ela estava?
E como eles tirariam ela dali, com Krycek como co de 
guarda?

E este foi seu ultimo pensamento que passou por sua mente antes
que a porta se abrisse.

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Krycek abriu a porta, e parou na entrada. Ele tinha amarrado 
os braos e as pernas de Scully, sabendo que ela era esperta o 
bastante para tentar alguma coisa quando ele entrasse aqui. Quando
ela acordou, e foi no banheiro, e depois tentou escapar dali,
ele deixou ela um pouco livre, sabendo que iria ter que prend-la.

Ela foi uma agente federal, e por isso sabia como agir em
situaes como essa. E ele no podia se arriscar. No agora,
depois que o dinheiro tinha sido confirmado em suas contas.

"O que voc quer?" veio a voz meio fraca dela, pois ela se recusou a 
comer o que ele tinha deixado no quarto, antes de amarr-la.

Ele esperou por um momento, e ento entrou, se aproximando dela.
Se abaixando para ficar perto dela, que estava deitada no colcho, 
ele comeou. "Vim s te avisar de que Mulder depositou o dinheiro,
e que ele fez como foi combinado." 

Ao ouvir isso, as esperanas dela cresceram. "Mas... o sindicato
tambm depositou o dinheiro, e agora, eu no sei pra quem eu 
vou dar o seu corpo..." ele falou, cantando, mas a angstia
que viu no rosto dela o fez parar.

Porm, Scully no ia desistir de lutar. "Se ele fez a parte dele, 
ento voc tem que fazer a sua. Me solta!" ela exigiu, e
Krycek ficou mais uma vez admirado com a guerreira dentro
dela.

"Mas o Sindicato tambm fez isso. E quer saber o que mais?
Eles pagaram mais" a isso, ele viu o pavor nos olhos dela.
Puro medo. Ele virou o rosto, no agentando olhar diretamente
pra ela. Krycek sabia mais ou menos os tipos de testes feitos
pelo sindicato, e preferia no conhec-los. E saber o que eles
queriam com Scully no ajudava em nada.

Mas negcios eram negcios. Ele se aproximou mais dela,
e preparou uma agulha. 

"O que voc vai fazer?" ela tentou se afastar, mas ele a agarrou
pelo brao.

"S uma coisinha pra te fazer relaxar. Quando o pessoal do 
sindicato chegar aqui, eles no vo querer lidar com uma
'histrica'." Krycek no queria falar isso, mas foram essas
as palavras exatas que usaram ao fecharem o acordo no
telefone. Ele no ia estar aqui para a entrega, pois no
ia se arriscar a ser morto por eles - afinal de contas, ele
conhecia muito bem como o sindicato trabalhava.

Enfiando a agulha em Scully, ele ouviu o ofegar dela,
e apertou a seringa. Logo a luta dela ficou fraca, e 
Krycek a soltou. Tirando o cabelo do rosto dela, ele
se abaixou, beijou-lhe o rosto, e saiu.

E tentou tirar a imagem de Judas da mente.

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Mulder se mexeu, quase meio que cochilando, ao sentir o
movimento de William. Ele parecia tenso, e se mexia muito,
e quando Mulder tentou acalm-lo, ele s ouviu. "Mame!!!
No!!!!!"

O corao de Mulder correu. Ele sacudiu William com firmeza,
e s ento os olhos azuis se abriram, e olharam para ele,
cheios de dor. O menino comeou a chorar, e Mulder o abraou,
embalando-o de um lado para o outro.

"Shhh.... calma, papai est aqui. Papai est aqui..." eles
ficaram assim por mais alguns minutos, at que William
se acalmou.  Mulder o afastou um pouco, e o questionou.
"O que foi, William? Foi um pesadelo?"

Ele negou com a cabea, e Mulder franziu a testa. Se
no fosse um pesadelo, ento o que...

Ele arregalou os olhos, e ento William se desvencilhou
dos braos dele, correndo para a porta, sumindo pelo 
corredor.

Mulder foi atrs, mas no teve tempo de impedi-lo de
entrar no quarto deles. Quando chegou ao quarto, Mulder 
viu William em cima da cama, com o travesseiro da me
nos braos, apertando com fora.

"Onde est a mame, papai? Voc disse que ia ela chegar
tarde, e ela no est aqui!! Cad a mame???!!!!" ele
estava corado, nervoso, e Mulder ficou preocupado. Ele
nunca viu William assim. 

Mulder se preparou para cont-lo, pois a criana era
incrivelmente ativa, e ele at tinha estranhado a complacncia
do filho em tomar banho, jantar, e depois dormir, mesmo
sendo bvio a falta da me. E a promessa de que ela chegaria
tarde, e estaria pela manh ali para dar-lhe um beijo, estava
indo por gua abaixo agora. 

"William, acalme-se, eu j te falei que sua me..." ele
no conseguiu falar. Ainda segurando o travesseiro dela,
William saiu correndo da cama, e foi para o corredor,
gritando "ME!" o tempo todo, entremeando com "Onde
voc est?!" enquanto corria e investigava cada quarto, e
a cada tentativa de Mulder para poder cont-lo, era 
dispensada com um puxo do brao e outra corrida, e ele
foi na direo da sala.

Antes que Mulder pudesse impedir, William viu a bolsa
e as coisas de Scully perto da entrada. Bem onde ela os
tinha deixado quando foi levada por Krycek. Ele
no tinha notado isso quando chegou em casa nos 
braos de Andrew.

"As coisas da mame!" ele gritou, e foi correndo pra l,
jogando o travesseiro de lado. Mulder suspirou, e se
aproximou, e William, depois de verificar que eram dela
mesmo, se virou pra ele. "Se as coisas dela esto aqui,
 porque ela chegou. Cad a mame, pai?"

Ele decidiu ir pela meia verdade. "Ela teve que sair, mas
deixou as coisas dela aqui. Quando voc chegou, voc no
notou isso. Andrew foi busc-la, pois ficou tarde demais
para ela vir sozinha. Ela est com muita vontade de te ver."

"Eu quero ligar pro celular dela." ele falou, indo para a 
o telefone, e Mulder se lembrou da mensagem. Oh,
meu Deus! 

Correndo rapidamente pra l, ele pegou a mozinha de William,
e colocou o telefone de volta. "O celular dela est na bolsa,
William. Ela esqueceu de levar."

Mulder viu quando William desistiu. Ele curvou os ombros,
e olhou para seu pai, conformado. "Eu s vou poder falar 
com ela de manh, n?" Mulder acenou com a cabea, e 
William continuou. "Pai, ela vai estar aqui de manh?"

Ele olhou diretamente para William, no desviando o olhar.
O olhar sincero da criana no o impediu de falar algo 
que ele queria acreditar desesperadamente. Tanto quanto 
seu filho queria.

"Ela vai, William. Ela vai."

E pensando, ele concluiu. <No nos desaponte, Andrew>

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Depois de umas duas horas dirigindo para a rea rural do Estado,
Andrew sentiu que estava no caminho certo. A sensao em sua
mente estava aumentando cada vez mais, e ele estava ficando cada
vez mais ansioso para colocar as mos no bandido, e levar sua me
pra casa. 

Ele sabia que o fator surpresa estava ao seu lado. Krycek no sabia
de sua ligao com a me, e alm disso, ele nunca poderia imaginar
que depois de algumas horas algum apareceria para poder surpreend-lo.

Andrew se concentrou nas sensaes que sentia, e depois de uma meia
hora, ele conseguiu perceber em que direo a sensao estava mais
forte. Na entrada de uma fazenda abandonada.

De noite, sem luzes, a escurido era total. Apenas a meia lua
no cu ajudava aqueles que estavam buscando alguma coisa
no meio do mato. Andrew levou o carro para um lugar
mais escondido, e saiu, percebendo que a sensao tinha ficado
um pouco fraca, e estava quase sumindo...

Cada vez mais alerta, ele sabia o que isso significava. Ela
estava perdendo a conscincia. Algo tinha acontecido, e 
sua me no era mais capaz de produzir qualquer sensao
para ele sentir. Mas, a falta disso fez mais do que qualquer outra
sensao pudesse fazer. 

A urgncia que Andrew sentiu o fez ficar mais forte, e 
preparado para agir da maneira  para o qual ele foi treinado. Instintivamente,
ele andou para a pequena casa nos fundos da fazenda abandonada, 
e ento viu uma pequena luz de um lampio. Tudo para no chamar
a ateno. Ele no viu mais nenhum outro carro, e estranhou isso.

Quando ele ia entrar, um barulho chamou sua ateno. Ele viu
um utilitrio preto parando na entrada da fazenda, e trs
homens, usando roupas pretas, saltando para fora. Andrew leu as
mentes deles, e descobriu o que estava acontecendo.

Ele estava certo ao vir pra c correndo!!! Krycek tinha 
barganhado dos dois lados!

Entrando na pequena casa rapidamente, ele viu uma porta 
nova num canto, e foi at l. Olhando pelo vidro, ele viu,
pela escurido, o corpo de algum deitado num colcho no
cho. E ele sabia de quem era.

Sem perder tempo, ele abriu a porta, e entrou, indo devagar
para ela. Se ajoelhando, Andrew viu as cordas amarrando as
mos e pernas de sua me, e viu tudo vermelho. Como aquele
bandido ousou...

Ouvindo o barulho na porta, ele sabia que no tinha tempo
para fazer nada agora. Se escondendo num canto, ele se
preparou para agir.

Os homens entraram no quarto, e ladearam o colcho. 
A imagem de sua me, indefesa, no meio daqueles homens,
e os pensamentos rpidos que eles tinham sobre o que
deveriam fazer com ela, o deixaram mais do que nervoso.
O deixaram querendo ver sangue.

Por que os homens sempre pensavam assim das mulheres?
Por que eles pensavam que poderiam lev-las ao bel prazer
deles, sem nem mesmo pensarem nas conseqncias do que
isso poderiam fazer a elas?

" ela?" um deles perguntou.

"Sim. Da foto que eu vi,  ela."

"Por que ela  to importante?" o homem com os pensamentos
mais sujos perguntou. "E por que o cara no est aqui, como prometeu
que estaria?"

O outro riu. "At parece que voc esperaria para ser morto tambm.
O cara  esperto, e no ia ficar como um pato aqui."

"Mas ela  muito bonita. Mais do que na foto. Ser que no podemos..."
Ele tentou levar seus companheiros na conversa. Mas, o que parecia
ser o lder o cortou.

"Nem pense. Eu sei do que voc gosta, cara, e no vou deixar
voc fazer isso com ela. Eles esto esperando ela em sade
perfeita." assim que disse isso, um barulho veio do lado de fora da 
janela. Os homens imediatamente se abaixaram, instintivamente,
e o lder olhou para um deles, acenando com a cabea. Um segundo
depois, eles dois saram pela porta, deixando o outro perto de
Scully.

O terceiro capanga no perdeu tempo. Com a arma em uma mo, ele pulou 
para o outro lado do colcho, ficando de costas contra a parede, de frente para a
porta, com Scully deitada na frente dele. Ele aproveitou a mo
livre, e comeou a desabotoar a camisa dela.

Andrew no se segurou mais. Aproveitando a distrao, e saindo 
do escuro, ele deslizou como uma cobra, e deu o bote. Acertando o homem na cabea,
com a mo fechada, ele o bateu abaixo, e o homem caiu
sobre sua me. Ela no se mexeu.

Tirando o capanga de cima dela, Andrew o levou para o canto
escuro, e aguardou os outros dois entrarem pela porta.
Mas, no sem antes olhar para o primeiro abatido, e dizer,
baixinho. "Voc nunca mais vai tocar em nenhuma mulher."
e ele apertou a garganta do homem, at sentir sua respirao
parar. Um a menos.

A sensao de piedade ou justia eram diferentes dentro dele.
Ele via o mal, ele o cortava, pura e simplesmente. Antes que
o mal voltasse para te pegar. 

Os outros dois voltaram, e Andrew os surpreendeu. Pegando um pelo
pescoo, e dando uma cotovelada na cara do outro, Andrew
rapidamente agiu  como a mquina de guerra que era.
Sem se preocupar em ser silencioso, ou gentil, ele
puxou a cabea do homem que segurava pra cima, num nico
puxo, e ouviu o barulho tpico de um pescoo sendo quebrado.
O homem caiu como peso morto aos seus ps.

O outro tentou se recuperar, mas o rosto sangrento mostrava a
evidencia de que a cotovelada que Andrew deu atingiu seu
objetivo. E com apenas outro soco, ele acabou de quebrar
o resto. Quando o homem caiu ao cho, Andrew, sem
nem mesmo olhar direito, virou o pescoo do homem. 

Ficando de p corretamente, ele respirou fundo, e sem nem mesmo
olhar para os corpos, ele foi direto para sua me.

Seu corpo tinha crescido com a adrenalina, e ele
no teve problemas em, muito gentilmente, desamarr-la,
e carreg-la deste buraco em que ela foi enfiada. Sua
ira para com o homem que a tinha trago aqui no tinha se
acabado, e Andrew esperava com ansiedade o momento
para encontr-lo. 

Antes de tir-la do colcho, Andrew viu uma seringa, e
um frasco ao lado da cama. Pegando o frasco, ele viu
que se tratava de um calmante muito forte, e era esse o motivo 
dela estar desacordada.

Ele queria matar o desgraado.

Mas ele sabia que haveria tempo.
Com certeza o homem descobriria o que ele tinha feito.
O falso valor seria ressarcido para o banco, e seria como
se nenhum depsito tivesse sido feito. E conhecendo a
maneira como o sindicato trabalhava, Andrew estava
quase certo de que o homem, que  tinha a inteno de ficar
rico, sairia com as mos abanando desta vez.

E voltaria para contra-atacar. 

E ele estaria pronto para receb-lo.

Ao sair da pequena casa, ele olhou para sua me no escuro
da noite. Ela estava toda mole, sem resposta, e ele a ajeitou
em seus braos, descansando a cabea dela contra o 
ombro dele. O peso leve dela no era nada comparado aos
pesos com que ele treinava na academia.

Indo para o carro dele, ele passou pelo utilitrio preto, pouco
se importando com os corpos. Se eles fossem descobertos,
com certeza no teriam identidades para comparar com os
corpos, e o carro no deveria ter registro. Assim
como naquele dia do basquete.

Colocando-a deitada no banco de trs do carro, Andrew
suspirou, e olhou pra hora. Quase quatro da manh. At
chegar em casa, seriam seis. Ele teria que correr para
chegar antes que William acordasse.

Se  que ele j no estivesse acordado.

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TITULO: ANDREW - LIVRO 2
Autora: Edna Barros

PARTE 4: ENCONTROS

Mulder no tinha dormido nada durante a noite. Depois da exploso
de William, nem cochilar mais ele ousou. Mas isso no era problema.
Ele j estava acostumado com isso. Antes, era por causa dos pesadelos.
Depois, s para aproveitar a presena de Scully ao lado dele, na cama,
no sof, onde quer que fosse. Ele no ia perder tempo 
dormindo...

E agora, quase seis horas da manh, ele esperava o pior. Andrew no
tinha ligado, e estava quase na hora de William acordar. O bichinho
tinha cado de pura exausto, aps chorar e chorar, sempre pedindo
a presena da me.

William nunca foi mimado. E sempre foi independente. Mas ele, 
assim como o pai e Andrew, no abriam mo da presena de Scully
em suas vidas. Em comparao, Mulder s teve Scully perto dele
mais da metade de sua vida, e Andrew, muito menos ainda.
Quanto a William... a teve em toda sua vida. E a perda para 
ele poderia ser mais sentida, mas ele tinha dvidas quanto a isso. 
Sem Scully, esta famlia poderia... sumir.

Ele ouviu um carro se aproximando, e foi at a janela, olhando
mais uma vez para a cama deles. William estava l, abraado ao 
travesseiro de Scully, o rostinho enfiado nele, como se respirar
o cheiro dela fosse indispensvel. E em algum sentido, era sim.

O corao de Mulder correu quando ele viu Andrew saltando
sozinho do carro, e ento, quase parou de vez quando ele viu
o rapaz abrindo a porta traseira do carro, tirando Scully dali, 
a carregando nos braos, para dentro de casa. Correndo
como um louco, ele desceu as escadas.

Ele chegou ao mesmo tempo em que Andrew estava passando
pela porta, e viu que Scully estava desacordada. Mulder foi
at eles, e Andrew permitiu-se parar para deixar seu pai 
se aliviar na face amada de sua me, e ento, ele falou, 
numa voz que no permitia discusso. Sabia que s havia um
jeito de seu pai fazer o que ele queria - falando que isso era
para o bem dela.

"Pai, pega a bolsa mdica dela - agora. Eu vou leva-la para o
quarto dela." Andrew comeou a ir para a escada, mas Mulder
o parou.  Andrew o olhou, confuso.

"Seu irmo est na nossa cama. Ele acabou dormindo l." 
no eram necessrias mais palavras. Andrew sabia que havia
acontecido alguma coisa para que William acabasse tendo
que dormir no quarto dos pais.

"Eu vou leva-la para meu quarto." ele comeou a subir a escada,
Mulder junto, e assim que entraram no corredor, Andrew virou
para o quarto dele, enquanto Mulder ia para o proprio quarto,
pegar a bolsa mdica de Scully. Ela no era mais atuante na
profisso de patologista e 'mdica particular' de Mulder, mas
mesmo assim estava sempre preparada para uma emergncia,
principalmente com William e Mulder por perto. Ela era a
'mdica particular' da famlia.

Mulder entrou devagar, para no acordar William, e abrindo o 
armrio, ele saiu da mesma maneira que silenciosamente. Indo
para o quarto de Andrew, Mulder entrou direto, e deu a bolsa
para Andrew.

"O que aconteceu? Por que ela est assim?" a voz de Mulder estava
nervosa, e Andrew explicou de maneira calma, como sempre. Ele
sabia que no adiantava ficar nervoso tambm. Agora que sua me
estava aqui, s e salva, ele podia respirar. 

Apenas.

"Ela foi sedada para ser levada pelos homens do Sindicato" a isso,
ele virou-se para Mulder, que somente respondeu.

"Voc estava certo, ento."

Andrew no confirmou isso. No precisava. Assim como no precisou
completar a frase "No encontrei Krycek l" que disse logo depois,
sabendo que Mulder entenderia muito bem que isso ainda no tinha acabado. 
Krycek iria pagar por isso.

Ele ergueu os braos de Scully, um por um, conferindo para ver se havia
alguma outra coisa. Erguendo a blusa dela, e tirando-a, com a ajuda de Mulder,
ele tambm procurou qualquer outro ferimento. No achou nenhum. Limitando
sua verificao para a parte de cima do corpo dela, Andrew estava satisfeito.

"Voc no vai verificar mais nada?" Mulder perguntou, e tirando a camisa que
usava, ele vestiu Scully com ela. Andrew, guardando as coisas na bolsa, 
respondeu, e no falou nada sobre isso. Ele tinha visto sua me usar
as blusas do pai naturalmente, como se fossem dela. Ela gostava de
fazer isso, e seu pai gostava quando ela usava as blusas dele. 

"No preciso. Este Krycek no ia se arriscar em prejudica-la, sabendo que
as duas partes queriam ela inteira." ele sabia que as palavras eram frias, 
mas era a pura verdade. Mulder ia falar uma coisa, mas antes que ele
pudesse dizer qualquer palavra, ambos ouviram uma voz da entrada
do quarto.

"Mame?"

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William estava sonhando. O sonho no era nada bom. Parecia que tinha
bandidos, mocinhos, como nos filmes da televiso. Ele acordou de 
repente, e estranhou o quarto. Olhando ao redor, com os olhinhos meio
fechados, ele se lembrou de ter pedido ao pai para deitar na cama da me,
para esperar ela chegar de manh...

O sol!!!!!!!

O sol estava brilhando! Isso quer dizer que j era de manh... e se era
de manh, mame j estava em casa... mas onde ela estava? Por que
ela no estava no quarto dela? Por que ela no tinha vindo beija-lo?
Cad o papai? Cad o Andrew?

Levantando rapidamente, completamente alerta, William saiu da
cama, e correu para o corredor, e escutando as vozes de Andrew e
de Mulder no quarto do irmo, William foi correndo pra l,
e parou, quando viu os dois sentados, um de cada lado na cama,
e sua me deitada, olhos fechados, como se estivesse dormindo.

Ela estava em casa!!! Mas no estava acordada. O que estava
acontecendo? Ela estava doente?

"Mame?"

Ele viu os dois se virarem, e seu pai se levantou, vindo na direo
dele, mas William, muito mais rpido do que qualquer um,
com exceo de Andrew, se desviou, e se jogou na cama. Andrew
o pegou primeiro.

"Me solta, Andy!!! Eu quero falar com a mame!" ele implorou, e
ento sentiu Andrew o levando pra fora. Ele comeou a chutar,
e tentar sair do colo de Andrew, mas sabia que no adiantaria.
Andrew sempre o vencia. William conseguia dobrar seu pai, 
e muito raramente sua me, mas Andrew - nunca.  

Mas esta seria a primeira vez. Com uma vontade imensa de 
ver sua me, William empurrou Andrew com uma fora que no 
sabia que tinha, e conseguiu, momentaneamente, surpreender o 
irmo, que soltou o aperto dele. Com um movimento gil,
William, com o corpo esguio, conseguiu se soltar, e desceu
para o chao, correndo para o quarto, entrando como um
furacao,  e pulando pra cima da cama, sobre a me dele. Ele
a agarrou pelo pescoo, e nem Mulder nem Andrew conseguiram
tirar ele de l.

"William, solta sua me! Ela est descansando!" Mulder tentou
puxa-lo, mas Scully vinha junto. Andrew tambm tentou puxa-lo,
mas notou que as mozinhas de William estavam deixando marcas nos
bracinhos dele, e no pescoo da me, em sua ansiedade para no
ser separado dela.

Depois de fracas tentativas, os dois desistiram. William ficou respirando
pesado, bufando, mas no soltou o aperto. E abrindo os olhos, ele
olhou para o pai e o irmo, os ousando a tira-lo dali.

Vendo a atitude resignada deles, o silencio que se seguiu fez William
se acalmar. Se virando para a me, ele passou um dedinho pela
sobrancelha dela. "Me? Me, acorda, me..." ele sacudiu os 
ombros dela, e sentiu a mo do pai sobre o ombro. Ele no
se importou. 

"William. Ela no vai acordar agora." Foi Andrew que falou.

"Mas por que no? Eu quero falar com ela!" ele queria falar com
ela desde ontem, e eles dois no deixavam. O que estava acontecendo?
"Ela est doente?"

Mulder suspirou, e passou uma mo sobre o rosto. As ltimas horas
foram de pura adrenalina, e agora que a calmaria parecia vir, acontecia
isso. Eles no podiam lidar com Scully e com William agora, ao 
mesmo tempo. 

Mais uma vez Andrew salvou a situao. "Ela tomou um remdio para
dormir, pois no conseguia dormir quando chegou em casa. Daqui
a pouco ela acorda,e voc vai poder falar com ela." a voz calma
do irmo foi a garantia de que William precisava. Ele olhou
para o pai, que acenou com a cabea. 

Ele olhou pra mo, e mais uma vez passou o dedinho na sobrancelha
dela. Ela sempre gostou deste carinho, e sorria muito quando ele
fazia isso. E ela fazia o mesmo com ele. Ele queria que ela fizesse
isso com ele, agora. Mas dava pra esperar. O importante era que
ela estava aqui!

"Vamos tomar banho, e fazer o caf, e at l, ela vai ter acordado, e
ento poderemos levar o caf da manh pra ela na cama. O que 
voc acha?" Andrew perguntou, j saindo pela porta, e olhando 
para Mulder.

Ainda indeciso, mas muito mais tranqilo, William deu um
beijo no rosto da me, saiu da cama, e deu  a mo 
para ele. Quando chegaram na porta, William voltou, correndo,
e ento, quando todos pensavam que ele fosse se agarrar em
Scully de novo, ele se jogou nas pernas do pai. 

Mulder o pegou no colo. "O que foi?"

"Eu te amo papai..." ele falou, e Mulder sentiu as lagrimas nos
olhos. Respirando fundo, ele trocou um olhar com Andrew, que
estava sorrindo. Tudo ia ficar bem.

William desceu do colo de Mulder, e foi com o irmo. Eles saram
do quarto, e fecharam a porta.

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Mulder estava sentado agora na cama, passando um pano mido no
rosto de Scully. Ele pensou em como chegou perto de nunca mais
v-la, e isso mais uma vez o deixou em pnico. Mas deixando isso
de lado, ele voltou a tratar dela.

Ele j tinha levado ela pro quarto deles, e trocado a roupa dela, 
dando-lhe um banho com um pano mido. Ele sabia o quanto
ela gostava de um bom banho, e se ela acordasse com a roupa suja, 
ela ia ficar mais triste do que possivelmente j estaria.

Notando as marcas vermelhas nos pulsos e nos tornozelos
dela, ele trincou os dentes. Se ele colocasse as mos em Krycek...
As marcas eram fracas, pois pouco tempo havia se passado, mas
mesmo assim...

Ele parou de repente, ao sentir um movimento. Gelando no lugar,
ele olhou para os olhos dela, e os viu abertos. "Mulder?"
a voz dela estava meio rouca, e Mulder pegou um copo com
gua que estava perto da cama. 

"Shhhh.... eu estou aqui." ela relaxou um pouco, e ele colocou
o copo na boca dela. "Beba um pouco de gua."

Ela bebeu, devagar, e deitou de novo. Mulder apenas aguardou,
pegando a mo dela, acariciando, e respirando o ar da
respirao dela. Logo William e Andrew estariam aqui - os
dois sempre sabiam quando ela estava acordada, e Mulder
s queria ter um pouco de privacidade com ela agora. 

A montanha russa de eventos que se sucederam desde ontem
 tarde, seria cmico se no fosse trgico. Ele no podia acreditar
que em menos de doze horas, ela foi seqestrada, negociada, e
resgatada, e que agora estava aqui, na cama deles, segura.

Graas a Deus.

E a Andrew.

"Como voc est se sentindo, Scully?" ele falou, notando que ela tinha
fechado os olhos de novo. Levando a mo ao rosto dela, ele acariciou
seu cabelo. A pele estava um pouco fria.

"Estou com um pouco de dor de cabea." a voz era fraca, quase nada.
Mulder ficou um pouco preocupado. Ele queria que ela acordasse
bem, como se nada tivesse acontecido, mas ele sabia que isso era
impossvel. Haveriam seqelas para ela, para William, alis, para
toda a famlia. E especialmente para Andrew.

"Mulder... como eu voltei? Quanto tempo..." ela tentou falar,
mas fechou os olhos, franzindo a testa.

"Eu vou chamar o Andrew aqui, e voc vai poder falar com 
ele, ok? Mas posso te dizer que estas foram as doze horas mais
longas de toda minha vida..." ele a beijou no rosto, e 
comeou a se levantar, mas ela agarrou o pulso dele de repente, 
o olhando diretamente.

"Doze horas? Meu, Deus... e Andrew? William? 
Oh, meu Deus... onde eles esto, Mulder?
Eu preciso v-los, agora." ela comeou a se levantar da cama,
a testa franzida, obviamente em dor, mas Mulder no deixaria.

"Eles esto bem, Scully. No se preocupe. Eles esto l embaixo,
s esperando para falar com voc. Especialmente William.
Vou chama-los." ele se levantou dessa vez, mas no precisou.
William estava entrando pela porta, correndo, e Andrew logo
atrs. Mulder estava certo quando pensou que os dois saberiam
quando Scully estivesse acordada.

William praticamente se jogou nos braos da me, que estava
muito emocionada. Mulder e William ficaram observando a
cena, to incomum entre eles, quando um acontecimento to
drstico como esse mexeu com a famlia toda. Era bvio que
todos estavam supersensibilizados, mas, quem estava mais?
No dava para ter certeza.

"Mame! Mame! Eu quero meu beijo! Eu quero meu beijo!"
ele falou, rindo, e olhou para Scully, que estava com os olhos
cheios de lagrimas. "Me? Voc est chorando? O que foi?"
ele esfregou a sobrancelha dela com o dedinho dele, e 
ela tremeu a cabea.

"Nada no, meu filho. Mame s est cansada. Mas pode
deixar que eu te dou um beijo..." e ela o beijou, acariciando
o cabelo macio, e o balanando de leve.

Mulder, percebendo o estado emocional de Scully, tentou
afastar William um pouco. "Pode deixar, Mulder" ela falou,
olhando para ele, e ento estendo a mo para ele, que 
pegou, grato, e se aproximou, abraando o filho tambm.
Andrew ficou de fora, apenas olhando a cena.

Apesar de no gostar, ele sabia esperar. Quanto a seu pai e seu
irmo, com temperamentos bem parecidos, eles eram
bem impacientes, no podendo esperar para ter a ateno
dela. Mas Scully sempre estava disposta a agradar os trs,
 sua maneira, e no final, era ela quem dava as cartas. 

"Andrew, senta aqui, do meu lado." <Assim eu vou me sentir
melhor> ela pensou, e ele sorriu, fazendo exatamente isso,
e se espojando, assim como seu pai e seu irmo, no calor
de Scully.

Mas ele sentiu que ela ainda estava tensa, e cansada, e queria
fazer com que ela se sentisse melhor. Ainda bem que era
sbado, e que nenhum deles precisaria sair, podendo ficar
em casa para se acalmarem das atribuladas horas. 

Ele parou de pensar nisso quando ouviu ela ofegar, e
ento, se afastando, ele lhe deu espao para respirar, assim
como Mulder e William, que a olhavam, preocupados.

"Eu s preciso descansar um pouco, no se preocupem" ela
respondeu, meio sorrindo. "S estou emocionada de estar
aqui com vocs" ela no comentou sobre o que tinha acontecido.
O que quer que Mulder e Andrew tivessem contado para William,
com certeza no foi tudo. Ela no queria assusta-lo, mais do que
ele j estava assustado.

William no prestou ateno para o que ela disse. Ele estava
muito contente por ela estar aqui. 

"Me, vamos para o parque daqui a pouco?" ele perguntou, se
lembrando que hoje no era dia de escola, e que eles sempre 
saam, para se divertir. Ele deu um largo sorriso, e antes de 
repetir o pedido, a campainha tocou. 

Imediatamente, todos, exceto William, ficaram tensos. Mas bandidos
no tocavam a campanhia - tocavam? Os trs ficaram se olhando, 
momentaneamente pegos de surpresa, e William foi para a janela
que dava para a frente da casa.

" o carro da vov!  a vov!" ele gritou, saindo do quarto,e  descendo
a escada, antes que qualquer um pudesse impedi-lo. Mulder
fechou os olhos ao se lembrar de que no havia respondido
o telefonema da noite anterior, e que ela provavelmente
veio visita-los, sem esperar convite. No que ela precisasse.

Scully chamou sua ateno. "Mulder..." ela no precisou completar
a frase. Ele j sabia que ela no iria agentar correr atrs de
William. Alis, nem ele. O menino era realmente demais para
eles trs, principalmente com a av por perto - que  provavelmente
estava trazendo alguma 'lembrancinha' para seus netos.

Mas ele sabia que ela precisava de um tempo agora. E era uma
tima oportunidade para Andrew cuidar dela.

"Pode deixar Scully. Eu vou segurar os dois l embaixo, mas acho
que no vou conseguir fazer isso por mais de meia hora." ele
olhou para Andrew, que acenou com a cabea.

"Meia hora est bem, pai" ele falou, e olhando para sua me, 
se esqueceu de todo o resto. Mulder se abaixou, beijou 
Scully, olhou para ela fixamente, que devolveu o olhar, antes
de fechar os olhos, exausta. 

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Scully ficou quieta, esperando Andrew falar. Ela no estava
nervosa, pelo contrrio - Andrew a deixava tranqila, tanto quanto
William a deixava um pouco agitada. 

"Me?" ela ouviu Andrew perguntar, e abriu os olhos. A preocupao
estava l, como ela esperava. A mesma ruga entre as sobrancelhas,
assim como Mulder, quando ele ficava preocupada com ela.

"Eu estou bem, filho." ela falou, e estendeu a mao para ele, que
prontamente a pegou. "S um pouco de dor da cabea." Ela aproveitou
para passar o dedo sobre a sobrancelha dele, um carinho que ela
se acostumou a fazer com os trs, como se fosse algo especial, s
para eles. Andrew ficou quieto, aproveitando o momento, e
relaxando um pouco, mas quando ela tirou a mo, cansada, ele
voltou a ficar um pouco tenso.

" do sedativo que ele te deu" a voz dele era tranqila, mas
revoltada. Scully reconhecia esse tom muito bem. Ela j
tinha escutado esse tom vrias vezes na voz de Mulder.
Ela olhou fixamente pra ele, que desviou o olhar rapidamente.
Ele nunca poderia esconder nada dela. 

"Andrew?" ela insistiu, e ele olhou pra ela. "Andrew, s me
responda uma coisa: quem me resgatou?" ela j sabia a resposta.
Eles nunca deixariam William sozinho numa situao como
esta. E s Andrew poderia te-la achado em to poucas
horas.

"Eu sei o que voc est pensando." ela falou,
e ele olhou pra ela, surpreso.

"No, me, acho que voc nem pode imaginar..." ele
tentou falar, mas ela o cortou.

"Sim, eu posso. Se voc for como Mulder em relao a mim,
e eu sei que voc , eu sei que voc vai querer se vingar de
Krycek." ele virou o rosto mais uma vez, e Scully apertou
a mao dele. "Andrew... olha pra mim." ele no olhou, e
Scully insistiu, mesmo sem esperar resposta. "No faa isso,
Andrew. Ele no vale a pena."

Ele retrucou. "Mas voc vale." uma pausa. "E eu no posso
te perder, me." ele falou isso num tom choroso, e Scully sentiu
lagrimas nos olhos. To crescido, e to dependente. Ela tentou
brincar.

"Voc tem que parar com esse complexo de Edipo, Andrew. 
Logo vai arrumar uma garota, e vai se esquecer da sua me aqui..."

"Isso nunca!" ele pegou na mo dela. "Me, eu falo serio quando
digo que te amo. Mais do que qualquer filho pode amar sua me.
Voc no entendeu ainda? Depois que fui criado, sonhava em
te encontrar, e ter o carinho de uma me, o amor de uma me, e
nunca pude ter isso no laboratrio. Depois, quando descobri a
pessoa maravilhosa que voc , e sobre meu pai tambm - tudo que
queria era fazer parte da famlia de vocs. E junto com William -
eu me sinto completo."

Ela no sabia como responder a isso. Mas falou de qualquer
maneira. "Eu  que agradeo a Deus por ter me dado a oportunidade
de ter um filho como voc." ela puxou a mao dele, e o abraou,
e os dois ficaram assim por alguns momentos. 

Quando se separaram, imediatamente Scully colocou a mo na testa.
"Me?"

" s a dor de cabea. Estou sentindo umas pontadas. Tenho certeza
de que depois que me alimentar, e dormir um pouco, eu vou 
melhorar." ela falou, esfregando a testa, e Andrew viu as marcas
no pulso dela.

Com carinho, ele pegou a mo dela, e ficou encarando o pulso com o 
circulo vermelho. E comeou a respirar mais rpido.

"Andrew, calma... j passou" ela tentou acalma-lo, e de repente,
ouviram um som estranho no andar de baixo.  Andrew se
levantou, e Scully sentou-se, e tentou levantar. Ele se virou
pra ela, alarmado. "Me, no saia da cama. Eu vou ver o
que est acontecendo. No saia daqui."

"Andrew..." ela comeou, e ele concluiu.

"J sei o que voc vai dizer - mas voc no est nem em 
condies de andar. Espere aqui!" ele quase gritou dessa
vez, pela primeira falando com ela neste tom. Andrew 
estava muito nervoso. Ela ficou um pouco assustada, 
e - era impresso dela ou ele tinha ficado  maior? O
que estava acontecendo com ele?

Andrew no notou o olhar de sua me, e saiu correndo do
quarto, depois de notar que ela tinha ficado quieta. Descendo
as escadas correndo, ele se deparou com uma cena que no
podia ter imaginado no pior de seus pesadelos.

"No!!!!!"

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TITULO: ANDREW - LIVRO 2
Autora: Edna Barros

PARTE 5: CONFRONTOS & DESCOBERTAS

Mulder estava correndo, descendo a escada, pronto  para receber
Maggie antes que ela tivesse chance de subir para ver Scully.
Ele esperava que William pudesse distrair a av, e ver o presente
que com certeza ela teria trazido, e assim dar tempo para Andrew
olhar e ver como estava Scully.

Ele desceu na sala ao mesmo tempo em que William chegou
 porta, e por um momento, estranhou a situao. Um nico pensamento
passou pela sua cabea, e ele no sabia o motivo - era realmente
Maggie que estava ali?  "William, no abra---"

Tarde demais. Afoito, o menino abriu a porta, louco para ver a av,
no s por causa dos presentes, mas porque adorava falar com ela,
sempre to paciente com ele. Mas, ao invs de ver a face amada de
sua avozinha, ele deu de cara com um homem alto.

Ele no sentiu medo. S estranhou o fato de que no era sua av
que estava do outro lado da porta. "Cad minha av?" ele
perguntou para o homem, que o empurrou de lado, e entrou
na casa, arma na mo, apontada para seu pai, que estava com as mos
erguidas no alto da cabea.

William conhecia armas. Ele sabia que elas machucavam, e at 
matavam. Ele viu muitos filmes com seu pai e seu irmo, uns
que sua me sempre reclamava com eles, dizendo que no ele
no estava com idade para ver isso. Eles riam dela, achando 
que era bobagem, e ele sempre acabava no meio de Andy e
seu pai para poder ver o filme. 

Ele tambm viu, um dia, a arma do pai - ele sabia que sua me
tinha uma, mas essa ele nunca viu. E at a pegou, e nesse dia,
ele viu o seu pai ficar literalmente branco. 

To branco quanto estava agora. Ele estava a ponto de perguntar
o que estava acontecendo, de perguntar quem era este homem, quando
outros dois entraram tambm, um deles agarrando-o pelo
brao. Ele tentou se soltar, mas o homem no o soltou.

"Pai!" ele falou, e ouviu seu pai responder. "Solta ele, Krycek."

O outro homem, o que tinha sobrado, respondeu. "Ele vai ficar
ali mesmo, Mulder, at voc me dar o que eu quero."

"Eu no vou te dar Scully." ele falou, e tentou se mover, mas
o homem com a arma se aproximou, e mirou, fazendo-o parar.

"No  ela quem eu quero. Isso eu deixo para estes homens 
aqui, que so do Sindicato. Eu quero o que voc me deu e
me tirou to inteligentemente. Quero meu dinheiro." 

"Ento solta meu filho."  Mulder no ia ceder to facilmente.
Ele preferia morrer a ter que ceder um de seus tesouros mais 
preciosos. E se ele morresse, iria levar Krycek junto.

"Papai?" a vozinha de medo de William deixou Mulder 
com raiva. Seu filho nunca deveria passar por uma situao
como essa. 

"Calma, filho, tudo vai dar bem." e mais uma vez ele tenta barganhar
com Krycek. O homem ainda apontava uma arma para ele.

"Krycek, deixa William chamar o Andrew. S ele sabe como fazer a
transferncia eletrnica." Mulder insistiu, tentando ganhar tempo, 
e Krycek no iria ser enganado.

"E deixar um dos meus trunfos escapar? Voc pensa que eu
sou idiota, Mulder?" Krycek se virou para olhar as escadas quando
ouviu um barulho de porta, e Mulder aproveitou a oportunidade para pular sobre 
ele, e tentar usa-lo como escudo contra sua prpria equipe.
Mas Krycek foi mais rpido. 

Com seu brao falso, ele atingiu Mulder na cabea, o material 
duro tirando flego de Mulder, que cambaleou, e tentou
ficar de p, meio tonto, e sem entender o motivo,  
ouviu um "No!!!!!". Era Andrew.

E ele ouviu o que parecia ser um tiro. Ele estava usando um silenciador?

Oh, meu Deus. O que aconteceu?

Caindo no chao, Mulder abriu os olhos, sacudiu a cabea,
e escutou William gritando "Andy! Andy! Pai!" desesperadamente,
e ento tentou agarrar alguma coisa, s para sentir algo mido e
pegajoso na mo. 

Sangue.

E a voz de Krycek, sarcstica.  "Voc tinha que tentar alguma coisa, no , Mulder?
Parece que vou ter que levar seu menino, para voc poder me pagar, pois
a Scully j est vendida para o Sindicato." ele olhou para os dois homens.
"Vamos." e acenou para um deles, carregar William, e para o outro amarrar
Mulder.

Mas antes que pudessem fazer qualquer coisa, William grita
"Mame!!!!" e todos se viram para onde ele est olhando. O menino
fica muito agitado, e enquanto isso, todos olham para a escada, 
a tempo de ver Scully no alto dela. E com isso, Krycek 
d um sorriso.

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Scully ainda estava imvel, no entendendo o que estava acontecendo
com Andrew. Era bvio que toda essa situao estava mexendo muito com
ele. Ela atribuiu isso ao fato de que alm dela, William tambm estava
sofrendo. E com isso, Mulder.

Toda a famlia foi e estava intensamente afligida por este seqestro.

Saindo da cama, pernas fracas, ela foi para a porta, e andou pelo corredor, 
at a escada. Foi ento que ela ouviu William gritando por Mulder
e por Andrew.

Oh, meu Deus! O que estava acontecendo?

Ela comea a descer, precariamente, e v, enquanto desce, Andrew no
chao, sangrando, Mulder junto dele, e William preso por um dos trs
homens.

Ela percebe que um deles  Krycek.

E pra. Tenta analisar a situao, e o que pode fazer. No adianta
fazer nada com a cabea quente. Ela esperava que eles no tivessem
percebido que ela estava l, pois assim ela poderia voltar, e pegar
a prpria arma. Mas William a viu, e a denunciou, sem querer.

"Mame!!!!"

Todo mundo olha pra ela, que sabe que no tem mais como ela
pegar a arma.

Krycek aproveita a situao. "Oi,Scully. Chegou para a nossa festinha?"
ele sorri, e chega perto do p da escada. "Vamos, desa, e junte-se
a ns. Assim, seus dois filhos podero se divertir de maneira completa."

"Krycek, se voc encostar um dedo..." ela fala, furiosa com a audcia
deste homem vir to rpido, logo aps te-la seqestrado. 

"Mas eu j encostei um dedo... quero dizer, uma bala em Andrew"
rapidamente Krycek perdeu o tom jocoso da voz. "E se voc
no cooperar, ns vamos dar uma bala para William tambm. Mas
acho que ele no vai gostar muito do sabor." e quando ele 
acabou de falar, o homem que segurava William apontou uma
arma para a cabea do menino.

Fechando os olhos por um momento, ela tremeu, de raiva, de impotncia,
e principalmente de tristeza por estar nesta situao, com sua famlia
em perigo. E prometeu a si mesma que isso nunca mais iria acontecer -
nunca mais, se dependesse dela.

Ela abriu os olhos ao ouvir a voz desesperada de Mulder. "Fuja, Scully!
Fuja! Corre daqui!" e ela viu quando Krycek meteu a arma na cabea
de Mulder. 

"Vamos, Scully. Vamos logo terminar com isso. Assim vamos deixar
a sua famlia em paz." ele omite a parte em que vo levar William tambm.
Na verdade, William vai ficar com ele apenas pelo resgate. Mas ela
no precisava saber disso.

Scully decide descer. Mas, devido  tensao, ao sedativo que Krycek tinha
dado a ela, e a esta situao, ela balana, e desmaia, caindo da metade da escada
at o chao da sala.

"Scully!" Mulder grita ao mesmo tempo que William. "Me!!!!"

Andrew olha, alarmado, e sonda a mente de sua me. Apesar de estar
inconsciente, ela ainda estava sentindo alguma dor.

William, de alguma forma, consegue escapar do aperto que o segurava, e
nem ligando para a arma, corre para ela. Ele est apavorado.
Ele se ajoelha ao lado dela, e comea a chorar. O choro faz o corao
de Mulder doer. Ele estava louco para rasgar a garganta de Krycek em
pedaos. 

"Me?! Me?! Acorda, me! Acorda!!!" ele diz isso quase balbuciando,
no se permitindo gritar, sabendo que ela no gostava quando ele
falava alto demais. Quem sabe se ele fizesse tudo que ela gostava,
ela no acordava?

Mulder decide se aproximar, s para receber uma arma na cabea. 
"Tente alguma coisa, e a prxima bala  sua" um dos homens disse.

William v o tal de Krycek e um dos homens se aproximando, 
agarrando a me dele. Ele comea a falar, "Sai daqui, sai daqui, sai daqui -
voc atirou no meu irmo, e quer levar minha me, eu no vou deixar -
no vou deixar" ele fala, tremendo a cabea, lagrimas riscando o rosto, e 
Krycek ri, achando graa. Ele pega os braos do menino, e o joga pra longe, 
e comea a ir pra Scully. 

William cai no chao, e vendo seu pai com uma arma na cabea, Andrew no
chao, olhando pra ele, com o olhar meio estranho, e sua me desmaiada,
ele percebe que est sozinho. E quando ele v o homem se abaixando
pra pegar a me dele, ele percebe que tem que fazer alguma coisa.

"Solta ela!" ele grita, nervoso, e fica de p, parado. 

Krycek olha para o outro homem, que est rindo da audcia de uma criana
em manda-los parar.  Ele pega um dos braos de Scully, e se prepara
para pega-la nos braos.

"E se ela quebrou alguma coisa?" Krycek fala. O outro homem responde:
"No interessa. O que eles querem est dentro dela, e no nos ossos."

Mulder fica revoltado com isso, mas no pode fazer nada. Ela estava
sendo tratada como uma... como uma... mercadoria.
Se ele tentasse alguma coisa, ele levaria um tiro, e a ento  que eles no 
teriam chance. Ele sentiu um aperto na mo, e olhou pra baixo, viu Andrew 
mais alerta. Era impossvel, mas parecia que ele estava se recuperando do tiro!

Mas William chamou a ateno dos dois. Com um grito estridente, ele
repetiu. "Solta ela!"

E a este grito, o homem que estava prestes a carregar Scully, foi jogado do
outro lado da sala, batendo com fora contra a parede. Krycek olhou para
o homem, e depois para William, com olhos receosos. O outro homem, 
que estava com a arma apontada para Mulder, ergueu a arma, e Mulder 
gritou, tentando desviar a pontaria, mas William foi mais rpido.

Com uma raiva que no sabia que existia dentro dele, ele fez o mesmo com
o outro homem, e o jogou contra a janela. S que errou a pontaria, e acertou o
beiral. Mulder escutou o som da espinha do homem se quebrando.

Krycek, a esta hora, tinha jogado Scully sobre os ombros, mesmo
estando aturdido com o que o garoto estava fazendo. Era obvio que
ele no poderia vence-lo, mas pelo menos ele tentaria levar
Scully com ele.

"Eu j disse pra voc soltar ela!" ele falou, agora mais certo do que
nunca que iria conseguir salvar sua me.

Krycek no escutou. "Se voc acha que eu vou solta-la, voc est
enganado, seu moleque! E se voc me jogar contra a parede, como
fez com aqueles dois, voc vai machuca-la tambm. J pensou 
nisso?" ele riu, mas se esqueceu de Mulder, que tinha vindo para
poder tentar pegar Scully.

"Ah-ah-ah-ah, Mulder. Nem tente." ele falou, apontando uma arma
para Mulder, que parou com as mos para cima. Pensando rpido
em como poderia sair desta situao, agora que a vantagem era
dele, Mulder ficou surpreso quando viu Krycek soltar a arma, ficar
com um olhar fixo, e se ajoelhar no chao, levando Scully com ele.

Mulder agiu rpido. Ele pegou Scully nos braos, e a levou para
longe de Krycek, que a esta altura estava tendo convulses
no tapete. Ele ouviu um barulho atrs dele, e viu Andrew se
sentando, e olhando fixamente para Krycek tambm.

Mulder viu o olhar de Andrew. Era intenso, quase.... mortal. E
olhando para seu outro filho, que tinha ficado quieto, mesmo depois
de gritar, ele viu um olhar parecido. William, ou Andrew, ou os
dois,  estavam matando Krycek de uma maneira que ele tinha visto antes - 
em algum dos Arquivos X que ele tinha trabalhado. 

Graas a Deus que Scully no estava acordada para ver isso.
A idia de que seus filhos podiam fazer este tipo de coisa poderia
deixa-la abalada. Se ele j estava abalado, imagine como ela iria
ficar.

Ele voltou a olhar para Krycek, que estava sangrando pelas orelhas
e boca. Silencio encheu a casa, e ento, William comeou a chorar....

E Krycek deu o ultimo suspiro.

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TITULO: ANDREW - LIVRO 2
Autora: Edna Barros

PARTE 6: AJUDA

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Mulder deu uma olhada na baguna em sua sala. Mas no era isso que
o incomodava. Eram os trs corpos que estavam ali e Scully, 
ainda desmaiada, e  Andrew, que mesmo apesar de estar se recuperando,
tinha de fato levado um tiro. E William.

Num primeiro momento ele ficou sem ao, sem saber o que fazer. Como
algo assim pde acontecer em menos de 24 horas? Seria pedir demais que
se esquecessem de sua famlia, que s queria viver feliz? Ser que eles
sempre teriam que passar por isso?

"Pai!" uma voz longe o chamou, e Mulder percebeu que era Andrew. "Papai!"
e agora era William.

Sacudindo a cabea, Mulder tentou pensar claramente. Pegando Scully nos
braos, ele a levou para o sof, pra s ento responde-los. "Eu estou
bem." ele falou, num tom de voz que contrariava suas palavras. 

Virando para eles, Mulder notou que William agora estava junto de 
Andrew, e que os dois o olhavam de maneira hesitante, como se tivessem
medo de como ele reagiria. Na verdade, William estava mais assustado do que
hesitante, e estava agarrado a Andrew, que o acalmou com algumas palavras.

"O que aconteceu, papai?" William perguntou, mas foi Andrew que respondeu.
Mulder apenas observou. 

"Ns salvamos a mame. S isso que importa. E agora, precisamos leva-la
para um hospital. Depois a gente fala sobre o que aconteceu, ok?" Andrew
abraou o irmo que concordou, e depois correu para o sof, se esquecendo
de todo o resto. Para ele, os homens maus no existiam mais. Eles no podiam
mais fazer mal para a me dele. 

Mulder assistiu a cena, e esfregou o rosto. Ele olhou para Andrew, que
concordou com o que leu em sua mente. "Sim, eu sei. No podemos 
escapar desta vez." Andrew falou, e Mulder acenou com a cabea, e foi para o telefone,
discando 911, declarando que aconteceu uma emergncia em sua casa,
e que precisavam de uma ambulncia e da policia. 

E aproveitou para ligar para seu ex-chefe, Walter Skinner, que poderia
ajuda-los a  sair desta enrascada. Skinner garantiu que estaria ali o mais rpido
possvel.

Ele se virou para falar com Andrew, que j estava de p, indo para 
Scully. Mulder teve a inteno de impedi-lo de se mexer, mas era
obvio que ele no estava to ferido quanto antes. Havia sangue, sim,
no tapete, e nas roupas, mas ele no estava mais sangrando.

Vendo os dois filhos ao redor da me, com Andrew a examinando para
ver se tinha algum osso quebrado, e ao mesmo tempo conversando baixinho
com William, e at mesmo o fazendo rir, Mulder engoliu em seco, nao
entendendo bem a sensao que estava tendo ao ver os dois sobre Scully.

Sua primeira vontade era tira-los de cima dela, descobrir o que eles tinham
feito, e s ento decidir se devia deixa-los...

O que ele estava pensando? Em manda-los embora? Expulsa-los dali? 
O fato de terem 'poderes' especiais nao excluia o fato de que eles eram seus
filhos, e de Scully. E ele sabia que ela os aceitaria como eles eram.

Ele no poderia exigir que seus filhos fossem normais, no depois de
tudo que ele e Scully passaram nas mos de seus inimigos. Eles estavam
fadados a isso.

O telefone tocou, e s ento Mulder se lembrou de que o telefone tinha
tocado tambm na hora em que ele tentou pegar Krycek.. A secretaria no
tinha apanhado, pois no tinha sido acionada por ele. E falando em
fita, ele se lembrou dos Pistoleiros. Ele teria que ligar e avisar de que
no precisaria mais da ajuda deles. 

Ele atendeu o telefone. "Al?" enquanto ouvia sirenes vindo do 
lado de fora. 

"Fox,  Maggie." ela perguntou, a voz um pouco nervosa. "S liguei
para dizer que parece que  meu carro foi roubado aqui em casa." a
voz dela era um pouco nervosa. 

"Como assim, Maggie?" ele perguntou, mas se lembrou da hora em
que William tinha visto o carro dela da janela, achando que era ela
que estava vindo para a casa deles, e entendeu que Krycek tinha 
roubado o carro para no despertar suspeitas na chegada furtiva em
sua casa.

"Tomei meu caf e fui depois para a garagem, para ir fazer umas
compras no mercado, quando notei que o carro no estava aqui.
Ento eu chamei a policia para notificar o roubo e, " ela
foi interrompida por Mulder.

"Seu carro est aqui, na minha calada." ele falou, e ela ficou
em silencio. Mulder aproveitou para olhar para o sof, e ver que
Andrew e William ainda estavam sobre Scully. O som das sirenes aumentou.

"Meu carro est a? Como assim? E que barulho  esse? Fox? O que
est acontecendo?" ela estava ficando cada vez mais nervosa, e Mulder
tambm. Ele no sabia o que fazer. Estava meio perdido aqui.

"Maggie, est tudo bem. A policia est aqui, e eu te ligo depois para
informar em que hospital ns estamos e..." agora foi a vez dela 
interrompe-lo.

"Hospital? Como assim est tudo bem? Se est tudo bem, pra que ir a um
hospital? Foi com William? Com Andrew? Fox... no me diga que foi Dana..."

"Scully caiu da escada" ele falou, num tom calmo. "Mas no parece ter nada
quebrado. Ns vamos ao hospital s para nos certificamos de que est tudo bem."
ele disse um pouco da verdade. Scully realmente caiu da escada.

"Eu quero falar com ela." 

"Maggie, agora no d. Preciso atender a ambulncia. Depois eu ligo. Mas
posso dizer que Scully est bem." Assim eu espero. Ao ouvir o protesto 
dela, e mesmo sabendo que estava sendo rude, 
Mulder desligou o telefone, s para ele comear a tocar de novo.
Mas desta vez, ele no atendeu.

Indo para o sof, ele foi direto para Scully, mas William o atacou
nas pernas, abraando com fora. Mulder reagiu instintivamente, e
o pegou nos braos, mas no podia tirar aquela imagem da cabea.
Olhando para seu caula, ele no viu nada do estranho olhar de
antes - s o azul lmpido com a inocncia de um anjo. William o
abraou com fora, colocando o rosto contra o pescoo dele.

"Mulder?"

Ele se virou, e suspirou, aliviado, quando viu Scully acordada.
Ela tentou se sentar, e Andrew a ajudou, sempre solicito. Quando
ela viu o sangue na blusa de seu filho, o rapaz se apressou em
acalma-la. 

"Calma, me, est tudo bem. Calma..." ele falou suavemente, 
e agora, os trs olhavam para ela, que finalmente se lembrou
do que tinha acontecido, e olhou ao redor, vendo os corpos, e
a policia chegando, assim como os pra-medicos. 

Mulder tirou William do colo, e colocou-o no colo de Scully,
que abraou a criana imediatamente. William tambm no 
perdeu tempo. "Voc est bem, mame?" ele perguntou 
numa vozinha ansiosa, e Scully olhou para Andrew, que
esperava a mesma resposta. 

Olhando para Mulder, ela notou que eles estavam preocupados
com ela, mesmo depois de tudo que tinha acontecido. Com
os olhos cheios de lagrimas, ela os acalmou, tentando ser forte
num momento to atribulado.

"Eu estou bem. Um pouco dolorida, mas bem." uma pausa, e entao,
olhando para os policiais, que se aproximavam deles, ela
falou. "Eu fico com eles, Mulder." 

Mulder acenou com a cabea, e mesmo relutante, foi
para os policiais, e os pra-medicos foram para os corpos,
para ver se podiam ajudar com os homens cados. Quando
viram que no podiam fazer nada, eles olharam para o sof,
vendo a camisa de Andrew cheia de sangue, e Scully
com leves hematomas, e foram para l.

Enquanto Mulder tentava dizer o que aconteceu, falando que
ladres tentaram entrar e roubar sua casa, Skinner apareceu.
Ele ficou confuso ao ver a confuso na casa de Mulder, e
surpreso ao reconhecer um dos corpos como sendo
de Krycek, mas permaneceu ao lado de Mulder, 
enquanto este falava sua declarao.

Mesmo no sendo fcil, depois de algum tempo, os policiais
ficaram satisfeitos com o que ouviram, e enquanto os
corpos eram levados, e os para-mdicos iam embora, Skinner
permaneceu ao lado de Mulder, no sem antes os policiais
avisarem para eles no sarem da cidade, pois seriam 
chamados para darem uma declarao oficial na delegacia.

Mas a casa agora era uma cena de crime. Eles teriam que
sair dali e ir para outro lugar. Mulder ligou para a me
de Scully, que prontamente os convidou, mesmo sem saber
o que estava acontecendo, a ir para sua casa.

Mas antes de sarem, Mulder se virou para o sof, onde 
William ainda estava no colo de Scully, que a esta altura,
mesmo depois de tudo, ainda estava alerta. Mas era bvio
que ela estava em dor - seu rosto mostrava isso - bem, no
s o rosto, mas tambm a maneira como Andrew estava
em cima dela, tentando convence-la a ir a um hospital.

"Eu estou bem, Andrew" ela falou, fazendo careta. "Como
eu disse, s preciso subir, tomar um banho, comer alguma
coisa, e dormir um pouco." ela olhou para William, e
sorriu. "Que tal se voc pegar suas roupas preferidas
e coloca-las numa bolsa? Estamos indo para a casa da vov!"
ela brincou, e William foi correndo pelas escadas, parecendo no
ligar para o sangue no chao.

Olhando para Mulder, ela o chamou, e Skinner observou 
a famlia ao redor da ex-agente do FBI. A adorao e
dependncia eram bvias aqui. Inferno, ele mesmo seria
dependente dela, se ela permitisse.

Andrew virou a cabea pra ele, e Skinner ficou sem
graa, mas, depois, parou com a atitude - esse menino
no podia ler pensamentos - podia? Mas Skinner
tinha que saber se ela estava bem.

Mulder viu quando Andrew ficou rgido, e olhando
para Skinner, e sua atitude, ele entendeu rapidamente 
o que estava acontecendo. Mas antes que pudesse fazer
alguma coisa, ele viu Skinner se aproximando, e falando
com Scully.

"Voc est bem, Dana?" ele a chamou pelo primeiro
nome, j que agora ela no era sua subordinada. Andrew
ficou eriado com isso, no gostando do tom suave demais
na voz deste homem. Ele conversou com seu pai sobre
os sentimentos de Skinner para com sua me, e mesmo
depois da resposta segura de Mulder, ele ainda no engolia
o fato de que o homem era apaixonado pela sua me.

"Estou sim. Obrigada, Skinner,por ter vindo ajudar." a
voz dela ainda era fraca, e Andrew logo tomou a
iniciativa. 

"Vamos subir, me. Vamos fazer sua mala para irmos
pra casa da vov." Ele se levantou, e a ajudou a ficar
de p, mas quando ela vacilou, Andrew no hesitou e
a ergueu nos braos, e Mulder no falou nada. Apenas
observou enquanto eles subiam as escadas, devagar.

"Que diabos aconteceu aqui?" Skinner perguntou, 
e Mulder quase levou um susto, se esquecendo por um
momento que ele estava ali.

Falando baixo, e longe do policial que guardava a cena
do crime, ele falou. "Krycek esteve aqui ontem, seqestrou
Scully, e Andrew foi resgata-la. Eles chegaram hoje de manh,
e logo depois, Krycek e mais dois macacos do sindicato 
apareceram, querendo ela de volta. E ento, conseguimos
vence-los" Mulder no ia entrar em detalhes sobre como 
eles venceram, e Skinner no insistiu.

"O que voc vai fazer agora?" Skinner perguntou, 
no muito certo de que a familia Mulder iria suportar 
mais este ataque, depois de tanto tempo de paz. Ao ver
a expresso de Mulder, ele viu que estava certo.

"O que voc acha? - No vou deixar minha famlia
 merc destes bandidos - e muito menos viver com
medo disso." ele parou. "Mas no vou dizer o que vou
fazer, s para que voc seja sincero quando disser que
no sabe de nada."

Skinner concordou, acenando com a cabea. 
Colocando a mo sobre o ombro de Mulder, ele
falou. "V estar com sua famlia, Mulder. Cuide bem
deles. Eu vou ficar por aqui, e resolver esta baguna."

Agradecendo seu amigo, Mulder subiu as escadas, 
ansioso para ver como estava sua famlia.

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Andrew subiu com Scully para o segundo andar, e passou 
pelo quarto de William. O menino estava quieto na cama, 
segurando uma meia na mo. 

Scully olhou para Andrew, e ele, lendo seus pensamentos,
levou ela para a cama do menino, e deixando ela l,
foi para o prprio quarto, pegar suas coisas. 

William tinha notado que eles entraram no quarto, e
quieto, esperou que Andrew colocasse sua me na
cama. Quando seu irmo saiu do quarto,e fechou a porta,
William permaneceu onde estava, e fechou os olhos.
Esperando.

No demorou para sentir a mo calmante da me sobre 
suas costas, acariciando, como ela sempre fazia quando
ele estava nervoso ou com medo de alguma coisa, o que
era raro, mas algumas vezes acontecia, principalmente 
quando via filmes de terror com o pai e o irmo.

Ele soltou um grande e tremulo suspiro, e virando
de repente, se jogou nos braos macios da me, que
o balanou de um lado para o outro. 

"Shhh.... est tudo bem, querido. Mame est aqui."

Ao ouvir isso, ele se lembrou de que havia pedido
a presena dela ontem, o dia todo, e at de noite, mas
ela nunca apareceu. Isso o fez chorar mais forte 
ainda.

"Calma, meu anjo." Scully sentiu as lagrimas surgindo
em seus prprios olhos. "Mame est aqui..." ela
se torceu um pouco para sentar contra a cabeceira
da cama, e fez uma pequena careta de dor, mas
no deixou William perceber. O que importava agora
era acalma-lo.

O menino ficou chorando, at que falou, numa voz
baixinha. "Me?"

"O que foi?" ela perguntou, acariciando o cabelo 
macio.

"Voc t doente?" o medo era transparente na voz
de William, e Scully afastou ele um pouco, para
olhar nos olhos dele.

William fez isso, e notou as manchas roxas da queda dela,
e passou o dedinho sobre elas, com cuidado. Notando
os olhos midos de sua me, ele perguntou. "Voc
est sentindo dor?" ele estava com medo de que ela
dissesse sim. Ele no queria ver sua me com dor!

"Um pouco, querido, mas vai passar. E eu vou
ficar bem, e quero que voc pare de se preocupar.
Deixe isso para seu pai e Andrew - voc sabe que eles
adoram cuidar de ns dois!" ela sorriu, e isso
fez William sorrir tambm. 

Sentindo que ele estava se acalmando, ela continuou.
"Agora, voc quer perguntar mais alguma coisa?"

Um silencio quieto, e ento, ele decidiu falar.
"No vai adiantar perguntar pra voc."

Ela olhou para ele, desconfiada. "Como assim?"

O olhar de William era de confuso, e tristeza.
"Eu quero saber de uma coisa, mas na hora em
que aconteceu, voc estava dormindo."

Ela no entendeu. "Como assim, dormindo? Quando
aconteceu o que?" ela ainda no estava entendendo.

William suspirou. "Quando voc caiu da escada, voc
dormiu. E ento, aconteceu..."

"William!"

Tanto Scully quanto William pularam ao ouvir a voz
de Mulder, que estava na porta, nervoso. Eles viram
Mulder se aproximando, e se ajoelhando na frente
deles. 

No querendo olhar pra Scully, ele falou com William.
"E a, garoto? J fez sua mala?" ele brincou, pois
sabia muito bem que o menino no tinha idia de como
fazer uma mala.

William, ainda meio nervoso, olhou pra sua me, que
estava olhando para Mulder, que fez mmica pra ela:
'depois', e ento, ela acenou com a cabea.

"Isso mesmo, querido. Seu pai est certo. Vamos
fazer a sua mala, agora?" ela falou por fora de
expresso. Mas precisava mostrar pra William
que ela podia ficar de p.

Com a ajuda de Mulder, ela conseguiu, e junto com
os dois, eles fizeram a mala de William.

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TITULO: ANDREW - LIVRO 2
Autora: Edna Barros

PARTE 7: AJUSTES

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O silencio no carro era sepulcral. Ninguem falava nada. Da parte
de William, ele estava confuso, e no entendia o que acontecia
entre os adultos. Ocupado com seu livro para pintar, ele no se
preocupou com o que estava acontecendo, principalmente
porque ele estava vendo as malas, seus pais e Andrew junto com
ele. Parecia que eles iam sair de frias, e ele adorava frias! Tomara
que eles fossem pra casa de praia.

Sua me estava ao seu lado. Ela no se sentou no banco de frente,
como de costume, mas ficou atrs, com ele, o que o deixou
supercontente! Mas ele ainda estava preocupado, pois ela
estava usando um travesseiro para deitar contra a porta, e as
manchas roxas nos braos e no rosto ainda estavam l.
Mas ela tinha dito que no estavam doendo, dizendo que era
assim mesmo, e que as manchas iriam sair. Ela at pintou
ele com tinta roxa, s para ele ficar como ela. William riu
at no poder mais!

Ele ainda no entendia o que tinha acontecido naquele dia
em que ela se machucou, e que Andrew tambm ficou 
machucado. Mas seu pai disse que iria conversar com ele
depois sobre isso, e pra no dizer nada pra mame, e
que esse seria um segredinho entre os homens da casa!

Ele adorava segredos - mas ele no queria enganar a mame!

Ento seu pai falou que isso era para no deixa-la triste, e
ele concordou mais do que depressa. Ele no queria 
fazer a mame chorar.

E agora, sua me estava dormindo, meio curvada sobre o banco, 
e ele viu Andrew virando pra trs e falando. "Ela j est
cansada de novo. Vamos parar?"

"Agora mesmo" foi a resposta de seu pai. Eles dois tinham
concordado em manter Scully sob vigilncia, pois ela no
dizia quando estava sentindo dor, ou estava cansada. Mesmo
agora, dias depois do ataque, ela ainda no havia se
recuperado do que Krycek tinha dado pra ela, e nem do
tombo na escada. E agora, durante a viagem, eles no queriam
que ela se esforasse, e at mesmo William fazia as coisas
mais fceis para ela.

Logo eles encontraram uma parada, com uma penso por
perto, e Mulder pediu a ajuda de William para acordar
a mame com um beijinho. William concordou, muito
contente!

Enquanto isso, Andrew foi alugar os quartos para a noite.
A viagem estava sendo longa, e ainda faltava muito mais
para eles chegarem a seu destino. 

Mulder ficou observando William ir acordar Scully. Ele
notou que ela havia acordado, mas que permitiu o filho
ir adiante. 

"Me? Manh... acorda, a gente j chegou" William
sussurrou, com todo cuidado. E sorriu quando viu
ela sorrindo, ainda de olhos fechados. Ela estava fingindo,
como ele fazia s vezes, s para ganhar beijinhos dela
e ccegas de seu pai.

Em sua afobao e animao, William a atacou,
pretendendo fazer ccegas, e se esqueceu dos machucados
dela devido ao tombo da escada. Scully conseguiu esconder
os gemidos entre os risos, para no preocupar o menino,
nem faze-lo se sentir culpado, mas Mulder percebeu, sempre
atento das expresses no rosto dela, e, para impedir
William de fazer isso, ele pegou o garoto, disfaradamente,
e comeou a fazer ccegas nele.

"Ei, papai! Assim no vale..." ele ria que dava gosto. 

Mulder continuou brincando, ao mesmo tempo em que viu
Andrew se aproximando. Pela expresso do rosto do rapaz,
ele tinha percebido que Scully estava com dor. Mulder
apenas acenou com a cabea, e continuou brincando com
William. 

"Ei, garoto! Ajuda o papai a pegar as malas. O Andrew
tambm vai vir... a mame no vai agentar nem uma mosca."
ele brincou. "Aposto um sorvete que voc consegue
carregar mais coisas do que ela."

"Muito engraado, Mulder" Scully replicou, seca, enquanto
aceitava a ajuda de Andrew. Ela sabia que seria intil resistir
quando Mulder e Andrew agiam assim, como se ela fosse
feita de cristal. Tudo bem que ela nem conseguia andar sem
sentir dor, mas... bem, isso no contava.

"Cuidado, me. Olha s, deixa eu levar o carro para mais perto
dos quartos. Assim, voc anda menos e..." ele parou ao ver
a expresso de Scully. 

"Agora chega! Andrew, eu no vou desmanchar se der
alguns passos a mais! Pode deixar que eu me viro sozinha!"
dizendo isso, ela se virou, e pegou as chaves da mo dele,
indo na direo do quarto, depois de verificar o nmero.

Andrew ficou parado, magoado, e principalmente 
angustiado, por notar que, a cada passo, ela praticamente
se curvava cada vez mais, tentando minorar a dor das
contuses do tombo.

Atordoado, ele notou William correndo para a me, 
e no escutou quando Mulder o chamou. "Andrew?"

O rapaz nem notou isso. Em sua tribulao, Andrew notou
uma atitude estranha da sua me para com ele, desde que ela
acordou no sof. No comeo, no havia nada, mas, aos poucos,
quando a poeira foi se assentado, era visvel as mnimas coisas
que ela fazia para no ficar perto dele. E ele tentou, sem sucesso,
sondar a mente dela para saber o que estava acontecendo, mesmo
sabendo que isso no seria legal da parte dele, mas ele tinha
que saber o que a estava afastando dele!

Mas ela tinha ficado boa em bloquear os pensamentos. As emoes e
sensaes no, pois isso era involuntrio - ela no tinha como bloquear
dores, alegrias, tristezas e similares. Mas isso... era estranho.

"Andrew? O que aconteceu?" Mulder chegou ao lado do filho,
depois de ver a exploso da esposa. Ele no acreditava no que 
tinha visto. Tudo bem que era algo que se podia esperar de
Scully em relao  superproteo deles para com ela, mas
ela nunca havia destratado Andrew. 

Mulder reconheceu imediatamente a atitude dela. Incerteza.
No era medo, pois Scully os enfrentava. Mas sim, incerteza -
ela agia assim quando no tinha certeza de alguma coisa -
precisando juntar informaes sobre o  que a
estava incomodando para ento formular uma opinio, e
etiqueta-la. Mas o que seria? Ela no tinha comentado nada
com ele. E em relao a Andrew.... mais estranho ainda.

"O que est acontecendo, pai? Ela nunca falou assim comigo."
A voz de Andrew cortou seu corao. Mulder se aproximou,
tentando conciliar as coisas.

"Ela est exausta, e estressada, Andrew. Depois que chegarmos
na casa de praia, e ela se acalmar, tudo vai voltar ao normal."

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Ledo engano - Mulder pensou ao se lembrar desta parada na
estrada. Agora, na casa de praia, ele sentado na varanda de trs,
olhando Andrew e William na praia, ele pensou em Scully,
que se recusava a falar com ele. Ela estava guardando algo
dentro de si, e que a estava comendo viva. 

Mas de hoje no passaria, nem que eles brigassem. Ele
no queria brigar com ela - longe disso - mas se
fosse necessrio, ele o faria.

Ela tinha arrumado uma desculpa para no ficar perto
de Andrew, e nem dele. Ela era esperta demais para
saber que Mulder perguntaria coisas pra ela, e desde
a parada, ela e Mulder ainda no tiveram um momento
a ss, exceto na noite anterior, quando ele foi pra cama,
e ela j estava deitada, dormindo (pelo menos era o que
parecia) e de manh, quando ele acordou, e a buscou
na cama, ela j tinha se levantado. 

Ao chegar na cozinha, William j estava l com ela,
impossibilitando qualquer conversa srio sobre o
assunto. 

Quanto a Andrew - Mulder estava com muita pena. O
rapaz se afastou de Scully, pois tinha notado que ela
ficava tensa quando ele estava por perto. A angstia
em seu filho s no era maior do que a dele, por ver
me e filho separados. E ele nem sabia o motivo!

Andrew, ele e William estavam acostumados a
ter o toque dela sempre. Principalmente no cabelo,
fazendo um cafun. Mulder sempre tinha cafuns
na cama, todos as noites, e outras coisas tambm,
mas durante o dia, Scully s se sentava quando
tinha certeza de que estava livre, pois ela sabia que
depois que sentava, demoraria uma eternidade para
ela se levantar, pois ou Andrew ou William estariam
sempre ao lado dela, buscando um cafun.

Ele sentiu a diferena ainda mais com esta
viagem. Depois de dois dias na casa da me de Scully,
Skinner finalmente declarou que eles deveriam se
afastar um pouco, arejar a cabea, para s ento 
voltarem. Nas entrelinhas, o motivo: sumirem por
uns tempos, at as coisas se acalmarem.

E agora, no carro, Scully fazia carinho
em William, mas s. E o olhar pido de Andrew, e
a distncia sutil dela para com ele eram claramente
visveis. 

Agora, de tarde, Mulder decidiu que chegou a hora.
De jeito nenhum ele iria passar outro dia nessa tenso.
Ficando de p, ele entrou, e procurou pela casa toda
por ela, encontrando-a no andar de cima, no quarto,
olhando a praia na varanda. O vento estava morno, 
e os cabelos ruivos voavam suavemente. 

Ela era maravilhosa. Mulder ficou quieto na entrada do
quarto, no querendo quebrar o silncio. Ela sempre
gostou de silncio - no mximo, uma msica clssica.
Mas agora, parecia profano quebrar o ar com a voz
dele.

"O que voc quer, Mulder?" ela falou sem se virar, e
Mulder aproveitou e se aproximou dela. Por trs, ele
envolveu-a nos braos, e, juntos, eles ficaram olhando
seus dois filhos na praia. E Mulder sorriu quando duas
garotas passaram, e pararam para conversar com Andrew.

Mas Scully no sorriu. Mulder estranhou, e no 
conseguindo mais controlar a ansiedade, perguntou.
"O que est acontecendo, Scully?"

Era bem propicio de Mulder ser impaciente. Fechando
os olhos, Scully se encostou nele. "Ainda no sei bem
o que est acontecendo." a voz foi sussurrada, e
Mulder aproveitou o silencioso pedido de ajuda.

"Por que voc no me conta o que voc est
pensando, e ento ns partimos da?" um longo
silencio, e ento, " sobre Andrew, no ?"

Scully olhou pra ele, surpresa  sua sensibilidade.

"No me olhe assim.  visvel, pra qualquer um que 
conhea vocs dois,  que voc o est evitando, e que
ele, para no te ver sofrendo, se afastou de voc.
O que aconteceu?"

Ela suspirou. "Pode parecer bobagem..." e parou.

Mulder notou a reticncia. Ele a conhecia muito bem.
Ela no queria fazer papel de boba. "Pode falar. No
tem ningum aqui pra rir de voc."

"Eu quero entrar." ela falou de repente, no querendo mais
ver a praia. Mulder no falou nada, e simplesmente a levou para
dentro do quarto, indo para a poltrona, onde ele se sentou,
e a sentou em seu colo. Eles sempre conversavam assim,
pertinhos, chamando uma intimidade criada ao longo dos
anos, principalmente depois do casamento. 

Ela tambm se sentia mais forte assim. Ao se entregar,
literalmente, nos braos dele, era como se nada pudesse
atingi-la. 

Colocando a cabea no pescoo de Mulder, ela comeou.
Mulder sabia que ela fazia isso para poder contar tudo
do comeo ao fim, sem interrupes, e s ento ele
poderia dar sua opinio.

"Mulder, se eu te perguntasse uma coisa... voc seria sincero
e me diria a verdade?"

Indignado com a pergunta, ele exclamou. "Scully! Como voc
pode me perguntar uma coisa dessas?"

Ela olhou pra ele. "Perguntando. No tente parecer que ficou
ofendido. Eu sei que voc evita falar certas coisas comigo, s
porque sabe que eu vou ficar chateada. Ento, me responda -
sim ou no?"

Uma longa pausa, e Mulder suspirou. "Scully, voc sabe que
eu..."

"Mulder!"

"Tudo bem, tudo bem! Depende!"

"Depende do que?"

"Da pergunta, oras."

"Mesmo se fosse sobre nossos filhos?"

Mulder ficou quieto. Ele esperava isso mais cedo ou mais tarde.
S que no to cedo assim. Fitando mais uma vez  nos olhos dela, ele
colaborou. "O que te fez perguntar isso?"

Ela suspirou. Seria uma longa histria. "Quando eu estava no quarto, e Andrew
ficou comigo, enquanto Krycek pegava voc e William..." ela parou e fechou
os olhos, se lembrando dos momentos de angstia. Mulder pegou na mo
dela. Ela continuou.

"De repente, Andrew ficou nervoso, e quis descer, me pedindo, no - me
ordenando - a ficar na cama, e no descer. E eu juro, Mulder - ele parecia
maior - no sei se era o efeito da droga que Krycek me deu - mas eu juro
que parecia que Andrew tinha ficado mais forte!"

Mulder apenas escutava. Ele sabia que tinha mais. 

"Depois que ele saiu, eu tambm sa, e me deparei com aquela cena horrvel.
Depois disso, tudo  meio confuso, mas me lembro de ouvir William 
gritando para no me tocarem."

Dessa vez foi Mulder quem fechou os olhos, ficando angustiado ao
se lembrar da cena. Foi horrvel e...

Ele sentiu uma mo no rosto. Desta vez, era Scully quem o confortava. 

"Quando acordei no sof, minha primeira preocupao era com vocs. Vi sangue
na camisa de Andrew, mas como ele me abraava, e no parecia estar
sentindo dor, mesmo depois de eu perguntar, no liguei os fatos.
Mas depois, eu reparei na sala - e nos homens, inclusive em Krycek. O
relatrio preliminar foi bem vago sobre suas mortes, e como no pude
fazer a autopsia, tive que confiar no que o legista descobriu."

"Mulder, a espinha de um deles foi quebrada ao meio por um impacto
muito forte! O outro teve hemorragia interna macia devido a uma batida
intensa sobre uma superfcie dura - pra no dizer o pescoo quebrado -
e, Mulder, o crebro de Krycek praticamente derreteu dentro do crnio
dele!"

Ela estava quase gritando. Mulder tentou faze-la se acalmar. No
demoraria muito para Andrew e William estarem de volta. Eles
pressentiriam as emoes dela. 

"Scully, voc tem que se acalmar. Voc sabe que eles..." ele
no precisou completar. Ela acenou com a cabea.

"Oh, Mulder... O que aconteceu? Quem foi que fez aquilo?" ela tinha visto
e presenciado muitos fenmenos para ter uma linha de pensamento sobre 
Andrew e William. Eles tinham mostrado algumas caractersticas
especiais - mas isso, at mesmo isso seria demais!

Ela colocou o rosto contra o pescoo de Mulder, e ambos ouviram
os passos nos degraus. A porta estava aberta, e logo Andrew apareceu,
ansioso. "Me? O que foi? Voc est passando mal?" ele colocou a mo
sobre o brao dela, que se contraiu involuntariamente.

Confuso, Andrew leu a mente dela e viu a imagem que ela teve no
momento em que a adrenalina o consumiu naquela manh. Dele
ficando mais forte, e gritando com ela! 

Andrew se ajoelhou ao lado da poltrona, e tentou falar
com ela. "Me, eu no queria gritar com voc. Eu estava
nervoso e tinha que sair de l e eu no queria que voc
corresse perigo e..." Andrew falou tudo numa respirao s.
Normalmente ele era o mais racional e tranqilo de toda
a famlia, mas agora, ele precisava fazer com que ela
compreendesse o que ele tinha feito, e por que.

"Andrew, agora no  uma boa hora..." Mulder tentou,
mas Scully o interrompeu.

Olhando para seu filho, buscando seus olhos, ela s encontrou
tristeza e amor. E principalmente, sinceridade. 
E ficou envergonhada por achar que ele era perigoso.
Seu pensamento inicial era de que ele poderia ficar 
bruto com William, ou mesmo com ela, e de que eles
no poderiam se defender. Que idiotice... 

Mas desde que Krycek a levou, ela no estava sob 
controle. Estava se sentindo muito emocional, e por
isso, poderia ter feito este engano sem querer.

"Eu entendo, me. Eu entendo." Ao dizer isso, Andrew
no pde deixar de sentir um alvio, mas, ao mesmo tempo,
um pouco de tristeza por ela achar que ele seria capaz
de machuca-la, ou ao seu irmo. "Mas eu nunca faria
isso."

Mulder, que no entendeu nada, decidiu perguntar depois
para Scully, para no quebrar este elo de entendimento que
parecia estar ligando os dois.

Scully saiu dos braos de Mulder, e se jogou para Andrew,
que a pegou prontamente. Com os olhos midos, ele
a abraou, e a carregou pra cama, sentando l com ela.
Mulder ficou de p, e perguntou. "Onde est William?"

"Est tomando banho na banheira." Andrew respondeu, e
Mulder entendeu que eles teriam um pouco de tempo. 
William, quando tomava banho assim, demorava uma
boa meia hora s brincando com seus brinquedos dentro
da gua. O menino era igual a me neste aspecto.

Scully fez Andrew colocar a cabea sobre o colo dela, e,
olhando para baixo, para ele, comeou a fazer um
cafun nele, que fechou os olhos ao sentir o carinho.
Mulder sorriu - tudo ia ficar bem.

"Quer me contar o que aconteceu?" Scully perguntou,
sussurrando, e Mulder duvidou de que Andrew poderia
resistir. Ele mesmo no resistiria.

Andrew, abrindo os olhos, mas no querendo que ela
parasse a carcia, comeou a falar.

"Eu tenho uma certa propenso a ficar mais forte
quando estou tenso, ou pronto para brigar. Meus
msculos ficam mais fortes, e eu curo rapidamente.
Voc notou o sangue na minha roupa, mas no perguntou.
O tiro que eu levei curou rpido, principalmente por ter me
atingido de raspo."

Ningum falou. Agora era a vez de Andrew confessar.
"Foi William quem matou aqueles homens. No sei como
aconteceu, mas parece que ele  como eu - pelo menos
neste aspecto - quando ficamos nervosos, somos dotados
de alguma fora extra que nos permite fazer alguma coisa,
s para salvar aquele que amamos."

Andrew olhou direto para Scully. "Ele viu quando um dos
bandidos ia te levar, e ele comeou a gritar para no
fazerem isso. Ento, ele, mesmo  distncia, jogou um deles
contra a parede."

"O outro seguiu depois, pois apontou a arma para William.
Quanto a Krycek, ele j estava te segurando,
sabendo que William no faria nada contra ele,
seno te machucaria tambm, me. S que ele fez alguma coisa
com Krycek, que acabou com o crebro dele. Eu olhei
para Krycek, e quando tentei ler seus pensamentos,
no escutei nada, por mais que tentasse."

Scully ainda estava acariciando o cabelo curto
de Andrew. Ela no disse nada. Mulder no se
surpreendeu com o relato, visto que ele estava l.
Mas ele no sabia como Scully reagiria, e muito menos
o motivo de Andrew ter contado tudo.

S que o rapaz leu os pensamentos do pai. "Eu precisava
contar, pai, pois temos que nos preparar para ajuda-lo. Eu
conversei com ele, na praia, e ele falou sobre o que aconteceu
na casa, e sobre voc no querer que ele contasse isso para
a mame. Ele no entendeu, mas fez o que voc pediu."

Scully olhou para Mulder de maneira recriminadora, mas
Mulder deu de ombros. "Eu queria o melhor pra voc,
Scully."

"Mas se voc me manter no escuro, Mulder - e isso
serve pra voc tambm, Andrew" ela falou, olhando
agora para os dois. "Eu no vou poder ajudar. E
estou pedindo, e no aceito no como resposta,
que vocs parem com isso! A famlia precisa estar
unida."

Mulder se afastou, nervoso. "Olha quem fala. Voc se distanciou de ns
desde o que aconteceu l em casa, e at mesmo destratou
Andrew! E agora voc diz que precisamos ficar juntos?"

Andrew sentiu a mgoa da me, e ficou com vontade de bater
no pai. Ele no sabia o que a me tinha passado e no podia
agir assim com ela! 

Ele tentou se levantar, mas sentiu a mo da me segurando-o
contra o colo dela. Ele olhou pra ela, que acenou para ele,
mostrando que estava tudo bem.

"Mulder, peo desculpas por isso, mas eu precisava pensar.
 por isso que no estou to nervosa. Andrew s me confirmou
o que eu pensava - se bem que a idia de William ter feito
isso no me passou pela cabea. Ele est certo em nos dizer
tudo, pois precisamos estar preparado para ajuda-lo. E sobre
o que aconteceu desde o ataque l em casa, eu peo desculpas,
Mulder, por tudo. " e ento, ela olhou para Andrew. 
"Desculpe, meu filho, por ter agido assim. Nunca mais vou duvidar 
do seu amor por mim."

Andrew viu os olhos azuis dela cheios de lgrima, e a dor
que sentiu no peito no tinha mais tamanho. Saindo do colo
dela, ele a abraou com fora, olhando pro pai com recriminao.

Mas no era necessrio. Mulder j estava mais do que
pesaroso por ter gritado com ela. Ele j estava ao lado dela,
na cama, acariciando o cabelo ruivo enquanto Andrew a 
abraava.

"Eu  que peo desculpas, Scully. Voc foi seqestrada, 
amarrada, foi drogada e caiu da escada: tinha todo
o direito de estar confusa. Eu  que deveria ter sido mais
paciente e compreensivo." e ele a abraou tambm.

Vagamente veio na memria dos trs, ao mesmo tempo,
uma poca em que os dois a abraaram na praia.

E todos foram surpreendidos quando ouviram um grito
da porta. "ABRAO!!!!! EU TAMBM QUERO!!!"
e antes que pudessem se virar e olhar, foram atingidos
por um corpo pequeno, mas que teve a fora de joga-los
sobre a cama, e logo os quatro estavam rindo e
brincando, com William, todo molhado, cabelo, toalha,
e at short, molhando todo mundo.

Ele havia sentido a me enquanto estava no banho, e
se apressou para se secar, colocar um short, e correr
para o quarto dela. E quando encontrou todo mundo
abraado, ele tambm quis estar no meio...

Mulder se sentiu no cu. E faria de tudo para fazer
tudo continuar como estava. 

Mas ele percebeu que no seria mais assim. Com esta
habilidade de William, era evidente que o menino ficaria
mais forte, e que eles teriam que aprender a lidar com este
novo lado dele.

Mas at l, eles aproveitariam para viverem juntos, felizes.
Mulder pensou numa frase, e que ele tinha lido na Bblia
que Scully sempre colocava na cabeceira da cama dela.
Ela sempre deixava o livro aberto, e Mulder ficou curioso
em saber o que ela sempre lia na mesma pgina, e, num
dia, ele foi at l, e viu, marcado, uma frase.

'Basta cada dia o seu mal. O choro pode durar uma noite, 
mas a alegria vem pela manh.'

Nada mais certo.
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Fim

Nota da Edna:
Espero que vocs tenham gostado. Eu amei escrever este
livro 2. Andrew mora em meu corao, e com certeza ainda
havero histrias com ele e William, alm de Mulder e
Scully, claro, vindo por a. Aguardem! (mas no agora, ehehehe)

Desculpem qualquer furo na histria, mas no aproveitei a ajuda
das meninas para 'betarem' esta fic. Mas, mesmo assim, valeu
meninas, pelo apoio.

Beijos
Edna

Concluda em 11 de maio de 2003.


